Hispânicos e negros recebem menos analgésicos que brancos nos EUA, diz estudo

Artigo insinua que a prática leve em conta o mau uso desses medicamentos por essas minorias

Efe

02 de janeiro de 2008 | 02h36

Os hispânicos e negros recebem menos analgésicos fortes que os brancos nas salas de emergência dos hospitais dos Estados Unidos, indica um estudo divulgado nesta quarta-feira. O artigo, publicado na  revista "Journal of the American Medical Association", insinua que os médicos e enfermeiros poderiam dar menos medicamentos a essas minorias por suspeitarem que esses pacientes exageram seus sintomas para obter mais calmantes para seu uso ou para vendê-los. Não há provas disso, afirma em entrevista o médico Mark Pletcher, autor principal da pesquisa. "Não há evidência de que os pacientes não brancos sofram menos dor ou tipos diferentes de dor (que os brancos) quando chegam à sala de emergência", ressaltou. O estudo analisou os medicamentos prescritos em 150 mil consultas às emergência do país entre 1993 e 2005. Concluiu que 31% dos pacientes brancos receberam analgésicos derivados do ópio, que são narcóticos usados por pessoas com níveis médios e altos de dor. Em comparação, 28% dos asiáticos, 24% dos latinos e 23% dos negros obtiveram os mesmos remédios. Em seu lugar, os médicos deram a 36% dos pacientes não brancos analgésicos mais fracos, não derivados do ópio, como ibuprofeno e aspirinas. Apenas 26% dos brancos receberam estes remédios. O estudo também indica que uma das possíveis razões para a disparidade está em que os brancos demandam melhor atendimento por parte dos médicos que os membros das minorias e que reclamem mais de dor. O uso de narcóticos nas salas de emergência saltou de 23% para 37% dos pacientes entre 1993 e 2005 nos Estados Unidos, segundo a pesquisa. "Os estudos nos anos 90 mostravam uma desigualdade racial ou étnica preocupante no uso destes analgésicos potentes", disse Pletcher. "Esperávamos que o esforço recente em nível nacional para melhorar a gestão do dor nos departamentos de emergência reduzisse esta disparidade. Infelizmente, não foi o caso", criticou. 

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