Homem da Flórida processa Venezuela por cabelo e cartas de Bolívar

Um morador da Flórida abriu um processo judicial contra o governo da Venezuela exigindo a devolução de objetos que pertenceram a Simón Bolívar, incluindo uma mecha de cabelo.

Reuters

16 de outubro de 2012 | 20h40

Ricardo Devengoechea disse, na ação protocolada em um tribunal federal de Miami, que o governo de Hugo Chávez tomou emprestado os objetos há cinco anos, e repetidamente ignora pedidos para devolvê-los.

Entre os itens citados estão uma mecha de cabelos que foi usada por autoridades venezuelanas para verificar a autenticidade dos restos mortais do prócer na Venezuela, além de documentos, cartas (algumas escritas pelo próprio Bolívar) e dragonas de uma farda de Napoleão Bonaparte.

Na queixa apresentada na segunda-feira, Devengoechea é descrito como descendente de uma das famílias fundadoras da Colômbia. Ele alega que Bolívar presenteou os objetos a um bisavô seu.

O homem diz que emprestou o material ao governo da Venezuela em 2007, quando teria sido procurado por autoridades do país envolvidas numa investigação sobre as circunstâncias da morte de Bolívar.

A Embaixada da Venezuela em Washington não se manifestou sobre a ação.

Bolívar, militar nascido na Venezuela, liderou o processo de independência de várias nações sul-americanas, e é reverenciado por Chávez. Os restos mortais dele foram exumados em 2010 para exames, e voltaram a ser sepultados em um novo mausoléu. Neste ano, o governo venezuelano divulgou uma imagem tridimensional do rosto do herói, baseado em reproduções do crânio dele.

Segundo um documento judicial, Devengoechea foi levado num jato particular da Flórida para a Venezuela, onde teria passado um mês como hóspede do governo de Chávez, colaborando com a investigação.

No ano passado, ao saber que o governo havia concluído a pesquisa, ele se reuniu com funcionários do consulado da Venezuela em Miami, para discutir a devolução do material ou sua venda ao governo venezuelano, segundo o texto da ação.

Neste ano, Chávez decidiu fechar o consulado em Miami, e Devengoechea disse que telefonemas e cartas dele para a embaixada em Washington não foram respondidos.

(Reportagem de Kevin Gray)

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