Homem que invadiu Casa Branca tinha 800 cartuchos de arma no carro, diz promotor

O homem que pulou as grades e entrou na Casa Branca na sexta-feira à noite tinha mais de 800 cartuchos de arma no carro e foi preso em julho com um rifle e um mapa de uma mansão executiva, disse um promotor federal nesta segunda-feira.

JULIA EDWARDS E ROBERTA RAM, REUTERS

22 de setembro de 2014 | 17h35

Omar Gonzalez, de 42 anos, também fora detido, mas não ficou preso em agosto por ter andado na área da Casa Branca com um machado, afirmou o promotor David Mudd a um juiz federal.

As interações anteriores de Gonzalez com o Serviço Secreto dos EUA fazem parte de uma revisão interna em curso sobre como a agência não conseguiu impedi-lo de entrar na Casa Branca, e se há necessidade de mais segurança, disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest a jornalistas.

Questionado na segunda-feira se tem confiança na agência, o presidente Barack Obama disse: "O Serviço Secreto faz um ótimo trabalho e sou grato pelos sacrifícios que fazem em meu nome e em nome da minha família."

Gonzalez enfrenta acusações por entrar ilegalmente em um prédio ou terreno restrito portando "uma arma letal ou perigosa" e, se condenado, pode pegar até 10 anos de prisão.

Ele consentiu uma busca em seu carro depois da prisão, e os policiais encontraram mais de 800 cartuchos de munição, dois machados e um facão.

Mudd disse que a "preocupação (de Gonzalez) com a Casa Branca e o acúmulo de grandes quantidades de munição em aparentemente um curto período de tempo o tornam um perigo para o presidente", ao argumentar que ele não deve ser liberado sob fiança.

Embora Obama e sua família não estivessem na Casa Branca no momento, o incidente abalou a confiança sobre a proteção feita pelo Serviço Secreto. 

A agência, já abalada por uma série de outros lapsos recentes de segurança, está considerando maneiras de expandir a zona de segurança ao redor da Casa Branca para evitar que turistas e o público em geral cheguem muito perto, segundo o porta-voz da Casa Branca.

Uma das medidas possíveis inclui o bloqueio de calçadas ao redor da Casa Branca ou revistar turistas antes de permitir a passagem deles pelos caminhos adjacentes ao edifício. Adicionalmente, os visitantes do complexo, que são revistados nas entradas, poderiam ser revistados alguns quarteirões antes, segundo afirmaram os jornais New York Times e Washington Post. 

Representantes do Serviço Secreto não responderam a um pedido de comentário sobre o assunto, mas a agência, que aumentou a segurança na Casa Branca após o incidente da última sexta-feira, disse anteriormente que estava revisando sua resposta. 

Na noite da última sexta-feira, pouco depois de Obama e suas filhas terem partido para a residência de Camp David, Gonzalez teria escalado a cerca da Casa Branca e conseguiu passar para o gramado e adentrou na residência pelas portas ao norte. 

Depois de ter sido detido, Gonzalez, um sargento aposentado do Exército que serviu no Iraque, disse a um agente do Serviço Secreto que "estava preocupado que a atmosfera estava entrando em colapso e precisava dar a informação ao presidente dos Estados Unidos para que ele pudesse dizer ao povo", informou uma declaração emitida pelos promotores. 

Embora episódios com pessoas pulando a cerca da Casa Branca sejam razoavelmente normais, o incidente da última sexta foi particularmente preocupante pois o intruso conseguiu de fato entrar no edifício. Críticos disseram estar chocados com a falha de segurança, dizendo que pode dar confiança a agressores ainda mais agressivos. 

O incidente é também o última de uma série de falhas de segurança com o presidente. 

No mês passado, uma criança conseguiu passar por entre as grades da Casa Branca. O Serviço Secreto também foi criticado após um escândalo de prostituição em 2012 e uma falha de 2009 envolvendo um casal não convidado a um jantar de Estado da Casa Branca, embora um relatório do Departamento de Segurança Nacional não tenha responsabilizado o Serviço Secreto por conduta inadequada. 

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