Imã de Londres é condenado por acusações de terrorismo em Nova York

O imã de Londres, Abu Hamza al-Masri, foi condenado por acusações de terrorismo em Nova York nesta segunda-feira após um julgamento de quatro semanas que atraiu atenção para as suas polêmicas declarações contra o Ocidente.

JOSE, Reuters

19 Maio 2014 | 21h07

Depois de deliberar durante menos de dois dias, um júri de oito homens e quatro mulheres considerou Abu Hamza, de 56 anos, culpado das 11 acusações que enfrentava. Foi a segunda condenação de grande repercussão do promotor federal de Manhattan, Preet Bharara, relacionada a terrorismo em três meses.

Abu Hamza pode receber pena de prisão perpétua quando for sentenciado em setembro.

Os promotores acusaram Abu Hamza, que é caolho e não tem as mãos, de fornecer um telefone via satélite e conselhos a militantes iemenitas que sequestraram turistas ocidentais em 1998, uma operação que levou à morte de quatro reféns.

Abu Hamza também foi acusado de encaminhar dois seguidores ao Oregon para montar uma instalação de treinamento para os militantes e de enviar um associado ao Afeganistão para ajudar a Al Qaeda e o Taliban.

Seus advogados argumentaram que o caso se baseou em grande medida na linguagem incendiária dos seus sermões na mesquita de Finsbury Park, em Londres, que o deixaram conhecido como uma das vozes islâmicas mais proeminentes e radicais da Grã-Bretanha.

Muitas das suas palavras foram reproduzidas no julgamento, incluindo uma entrevista na qual Abu Hamza expressou apoio aos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos que mataram quase 3.000 mil pessoas.

Abu Hamza, que foi indiciado nos Estados Unidos em 2004 sob seu nome de nascimento, Mustafa Kamel Mustafa, passou oito anos na prisão na Grã-Bretanha por incitar a violência antes da sua extradição em 2012.

Durante o julgamento, Abu Hamza testemunhou ter perdido as mãos e um olho em uma explosão acidental no Paquistão 20 anos atrás, contradizendo relatos amplamente difundidos de que foi ferido enquanto lutava contra os soviéticos no Afeganistão.

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