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Imigrantes saem das sombras em busca do sonho americano

Jovens sem documentos têm problemas para regularizar situação por meio da Lei do Sonho

Reuters

24 de outubro de 2012 | 12h39

OHIO - Carlos Roa comemorou este ano quando o governo Obama anunciou um novo programa para adiar a deportação de jovens imigrantes sem documentos. Mas, após dois meses de programa, o ativista de 25 anos ainda não entrou com o pedido.

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Roa, cujos pais o levaram da Venezuela para os EUA quando tinha dois anos, está enfrentando muitas das mesmas preocupações e complicações que milhares de outros jovens imigrantes. Eles se autodenominam "sonhadores", por causa da fracassada Lei do Sonho, de 2010, que procurava colocá-los no caminho para a cidadania.

Sair das sombras pode levar à identificação de outros membros da família sem documentos, e colocá-los em risco de deportação. E depois de viver durante anos fora do radar, às vezes trabalhando sem registro, os imigrantes podem encontrar dificuldades para juntar toda a documentação necessária para provar a presença contínua nos EUA por pelo menos cinco anos, como a lei exige.

Além disso, alguns jovens elegíveis decidiram esperar até depois da eleição de 6 de novembro para entrar com o pedido, preocupados que, se o candidato republicano Mitt Romney se tornar presidente, ele possa cancelar ou modificar a ordem executiva, deixando-os vulneráveis a um processo de deportação.

Desde 15 de agosto, quando o governo federal começou a aceitar pedidos, quase 180 mil pessoas enviaram seus papéis até 10 de outubro. Até agora, 4.591 foram aprovados, de acordo com os Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA, ou USCIS. O número de solicitantes é uma fração dos 1,7 milhão de potencialmente elegíveis para o programa, conhecido como Ação Deferida para Imigrantes na Infância, ou Daca (na sigla em inglês), de acordo com o Centro Hispânico Pew, uma organização de pesquisa apartidária.

Enquanto alguns candidatos têm seus vistos vencidos para provar a data em que entraram no país, outros eram crianças pequenas quando os pais os levaram para atravessar a fronteira, sem a documentação do evento. Registros escolares são cruciais para atender às exigências do Daca, incluindo a exigência de presença contínua no país. Mas muitos deixam para trás os documentos quando terminam o ensino médio e passam a trabalhar sem registro.

Incerteza sobre o futuro

Além isso, ponderou Laura Lichter, presidente da Associação Americana de Advogados de Imigração (AILA), os clientes e suas famílias vivem em clima de medo e incerteza. Ainda que o serviço de imigração tenha garantido que as informações dos candidatos não serão entregues a agentes de imigração, as preocupações aumentam com as deportações em nível recorde e a eleição presidencial, que pode afetar o futuro do programa.

Romney disse no início de outubro que, se eleito, iria honrar os pedidos aprovados, mas acabaria com o programa em favor de reformas mais amplas. Alguns temem que a sua reforma da imigração possa excluir totalmente os "sonhadores", lembrando que no passado Romney se opôs à Lei do Sonho. Ao contrário daquela legislação, a ação deferida não confere status legal, mas oferece alívio de deportação e um visto de trabalho por dois anos, depois do qual os candidatos podem pedir uma renovação. Eles também podem obter registro da seguridade social.

Para se qualificar, os candidatos devem pagar uma taxa de 465 dólares e mostrar que tinham menos de 31 anos de idade em 15 de junho; chegaram ao país antes dos 16 anos; viveram nos EUA continuamente nos últimos cinco anos, e estão na escola, completaram o ensino médio, obtiveram um diploma de equivalência de graduação ou serviram nas Forças Armadas.

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