Indústria vê com otimismo relação Brasil-EUA com visita de Obama

Empresários da indústria brasileira demonstraram otimismo no futuro das relações comerciais com os Estados Unidos após reuniões bilaterais neste sábado.

REUTERS

19 de março de 2011 | 18h59

Os encontros ocorreram em meio à visita do presidente norte-americano, Barack Obama, a Brasília, e foram vistos com bons olhos por industriais, ansiosos para ampliar o mercado para produtos brasileiros e reverter o déficit nas transações com os EUA, que no ano passado chegou a 11,4 bilhões de dólares.

No início da tarde, presidentes das 18 maiores empresas de Brasil e EUA apresentaram a Obama e à presidente Dilma Rousseff uma relação de recomendações para fortalecer a relação econômica entre os dois países, incluindo reforma tarifária e alfendegária e mudanças no sistema de vistos.

Mais tarde, Obama participou de outro evento com 400 empresários e executivos organizado pelo Confederação Nacional da Indústria para debater energia e infraestrutura.

"(A presença de Obama) é uma sinalização firme e clara de que os Estados Unidos veem hoje o Brasil como um grande e importante aliado no mundo, não só comercial mas também político", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade.

"Nós não queremos apenas comprar produtos americanos, nós queremos vender para os Estados Unidos", disse, apontando para o esforço de diversificar a natureza das exportações brasileiras que, atualmente, é em grande parte formada por commodities.

Durante a visita de Obama, Brasil e EUA assinaram o Tratado de Cooperação Econômica e Comercial (Teca), que abre caminho para a discussão de questões relacionadas à bitributação e a barreiras comerciais, entre outros.

"Foi mais um encontro de cumprimentos. Os tópicos já mencionados foram reforçados. Foi mais um gesto de ele (Obama) vir e dizer que eles querem estar mais próximos dos brasileiros", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

PETRÓLEO

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que Obama manifestou intenção de futuramente comprar petróleo do Brasil. Mas o próprio Gabrielli lembrou que, nos EUA, quem negocia a commodity são as empresas e não o governo.

Gabrielli comemorou o fato de o governo norte-americano ter liberado na quinta-feira a operação de uma plataforma da estatal no Golfo do Mécxico, em um campo com capacidade para produzir 80 mil barris por dia.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, que assim como Gabrielli , Skaf e Andrade, participou de um encontro reservado com Obama, disse ter falado com o presidente norte-americano sobre investimentos conjuntos de empresas brasileiras e norte-americanas no continente africano.

"Eu acho que o Banco Mundial tem de apoiar iniciativas de empresas brasileiras e americanas na África", disse, acrescentando que Obama teria concordado com a ideia.

(Por Leonardo Goy e Hugo Bachega)

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