Inquérito isenta Hillary de falhas na segurança em ataque a Benghazi

Um inquérito do governo norte-americano sobre o atentado fatal de setembro contra sua missão consular em Benghazi, na Líbia, concluiu que a secretária de Estado, Hillary Clinton, não foi responsável por falhas ocorridas na segurança.

Reuters

19 de dezembro de 2012 | 20h07

A versão pública do documento, divulgada na noite de terça-feira pelo Departamento de Estado, concluiu que o consulado estava completamente despreparado para lidar com um ataque como o de 11 de setembro deste ano, que matou o embaixador dos Estados Unidos na Líbia, Chris Stevens, e três outros norte-americanos.

O embaixador aposentado Thomas Pickering, que comandou o inquérito, disse que a responsabilidade pelas falhas foi de escalões inferiores do Departamento de Estado.

"Fixamos no grau de secretário-assistente, que é, na nossa opinião, o local apropriado para procurar onde as decisões de fato ocorrem, onde, se você preferir, a borracha toca a estrada", disse Pickering após reuniões a portas fechadas com comissões parlamentares.

Uma fonte do Congresso disse que um secretário-assistente de Estado para o Oriente Próximo renunciou depois do relatório. A imprensa relatou ainda outras exonerações, inclusive de Eric Boswell, secretário-assistente para segurança diplomática.

O Departamento de Estado não quis comentar.

O relatório da Comissão de Revisão de Responsabilidades e comentários de dois dos seus principais autores sugerem que Hillary, que aceitou a responsabilidade pelo incidente, não pode ser considerada pessoalmente culpada.

"A secretária de Estado foi muito clara sobre assumir a responsabilidade aqui, (mas) da minha perspectiva isso não foi razoável em termos de ela ter um nível específico de conhecimento (sobre as falhas de segurança)", disse o almirante reformado Michael Mullen, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, também coautor do relatório.

O relatório apresentado ao público cita deficiências de "liderança e gestão", falta de coordenação entre funcionários e uma "verdadeira confusão" em Washington e na Líbia a respeito de quem tinha autoridade para tomar decisões em questões de segurança e política.

O duro relatório pode macular a passagem de Hillary pela chefia do Departamento de Estado. Após quatro anos como uma das mais populares integrantes do gabinete do presidente Barack Obama, ela deve deixar o cargo em janeiro.

Em carta que acompanha o relatório, a secretária prometeu adotar todas as suas recomendações, inclusive contratando mais funcionários para tarefas de segurança e pedindo mais dinheiro para fortificar instalações diplomáticas dos Estados Unidos.

(Por Andrew Quinn e Susan Cornwell; reportagem adicional de Toby Zakaria)

Tudo o que sabemos sobre:
EUAHILLARYBENGHAZI*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.