Insetos eram usados durante torturas em Guantánamo

EUA divulgam memorandos que permitiam técnicas de interrogatório; Obama diz que não punirá funcionários

Agências internacionais,

17 de abril de 2009 | 07h42

A administração de Barack Obama divulgou na quinta-feira, 16, quatro memorandos secretos que permitiam que a CIA, a principal agência de inteligência do país, durante o governo de George W. Bush, torturasse suspeitos de terrorismo detidos em Guantánamo e nas prisões secretas americanas pelo mundo. Táticas de interrogatório como afogamento, privação de sono, esbofeteadas e exposição a temperaturas extremas não violava nenhuma regra desde que não tivesse intenção de provocar dor severa, apontam os documentos. Obama afirmou que seu governo não vai processar os funcionários da CIA que praticaram torturas.

 

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Em nota, Obama reiterou que é contra uma investigação sobre o tema, dizendo que o momento é de "reflexão, não de retaliação". Uma das técnicas, que começou a ser aplicada em agosto de 2002, recomendava soltar insetos nas celas, supostamente para deixar os prisioneiros mais vulneráveis. Interrogatórios podem combinar simulações de afogamentos com posições estressantes, tapa, insultos ou golpes abdominais", diz um parecer de 2005, assinado por um funcionário de alto escalação do Departamento de Justiça.

 

As técnicas usadas pela CIA em interrogatórios a supostos terroristas eram alguns dos segredos mais bem guardados do governo do ex-presidente George W. Bush. Os aliados do ex-presidente alegavam que o assunto era uma questão de segurança nacional. No entanto, para alguns funcionários do governo de Obama, as técnicas não passam de simples tortura.

 

Um dos memorandos autorizava a manter um dos presos, suposto membro da Al-Qaeda, confinado em um espaço pequeno o suficiente para restringir os movimentos de um indivíduo por até duas horas. No local, ela colocada uma caixa com insetos inofensivos, já que o detento "aparentemente tinha medo de insetos", e diziam que ele seria picado, mas que as picadas não seriam fatais ou causariam dor severa. "Entretanto, se você colocasse o inseto na caixa sem informá-lo, ele não acreditaria que o inseto estava presente e que a picada poderia produzir fortes dores ou sofrimentos, até a sua morte", afirma o documento.

 

Segundo a rede CNN, outros memorandos permitem o uso de técnicas como deixar o detento sem roupa e em alguns casos em fraudas, e colocar o preso em uma dieta de líquidos. Sobre o afogamento, o documento afirma que "ainda que constitua uma ameaça iminente de morte, não resultará em dano mental prolongado" para violar a lei.

 

"Ao divulgar esses memorandos, é nossa intenção garantir que aqueles que cumpriram suas tarefas confiando de boa fé no aconselhamento jurídico do Departamento de Justiça não serão submetidos a processos", afirmou o presidente. "Os homens e mulheres da nossa comunidade de inteligência servem corajosamente nas linhas de frente de um mundo perigoso. Devemos proteger suas identidades tão diligentemente quanto eles protegem nossa segurança, e devemos fornecer a eles a confiança de que podem fazer seu trabalho."

 

Mas o presidente deixou claro que a decisão não reverte a sua reprovação às táticas adotadas pelo governo Bush como parte da sua "guerra ao terrorismo", e que foram consideradas formas de tortura por diversas entidades de direitos humanos. "Em um dos meus primeiros atos como presidente, proibi o uso dessas técnicas de interrogatório pelos Estados Unidos porque elas abalam nossa autoridade moral e não nos deixam mais seguros", afirmou. "Alistar nossos valores para a proteção do nosso povo nos deixa mais seguros. Uma democracia tão resistente quanto a nossa deve rejeitar a falsa escolha entre nossa segurança e nossos ideais, e por isso esses métodos de interrogatórios já são coisa do passado."

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