Investigação do 'Washington Post' expões falhas da inteligência dos EUA

Relatório, resultado de dois anos de trabalho, aponta um sistema inflado e ineficente

BBC

19 de julho de 2010 | 11h15

WASHINGTON - A reunião de informações secretas de inteligência dos EUA cresceu tanto nos EUA desde os ataques terroristas ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001 que ninguém sabe quanto tais operação custam aos cofres públicos e nem quantas pessoas estão envolvidas, revela uma investigação do jornal americano Washington Post publicada nesta segunda-feira, 19.

 

O relatório do jornal aponta que aproximadamente 2 mil companhias privadas e 1.270 agências do governo estão envolvidas nas atividades antiterrorismo em cerca de 10 mil localidades em todo o país. A investigação, nomeada de Top Secret America (América Ultra Secreta, em tradução livre), foi empreendida durante dois anos pelo jornal.

 

As autoridades reconhecem que o sistema de inteligência tem falhas, mas questionam algumas das conclusões do Post. Antes de o relatório ser publicado, a Casa Branca disse ao jornal que sabia dos problemas e que estava tentando solucioná-los.

 

Críticas

 

O relatório diz que o crescimento da indústria da segurança - com bilhões de dólares de contratos gastos em vários contratos con agências do governo e empresas privadas - resultou em um sistema que carece de visão e tem altos níveis de desperdício.

 

Segundo o jornal, cerca de 854 mil americanos tem o maior nível permitido de permissão de acesso a assuntos de segurança. O relatório ainda aponta que um quinto das agências antiterror do país foram criadas depois do 11 de setembro e mais de 250 órgãos de segurança foram criados ou reestruturados após os ataques.

 

Além disse, a investigação aponta que quase 5,2 milhões de m² foram usados para a construção de agências de inteligência em Washington desde os ataques e que as agências publicam tantos relatórios que as autoridades ignoram os documentos na maioria das vezes.

 

Os sistemas de inteligência e de vigilância dos EUA mudaram dramaticamente desde os ataques de 11 de setembro. Eles passaram por reformas - como a criação do Diretório Nacional de Inteligência, que supervisa cerca de 16 agências - e receberam uma massiva injeção de recursos, o que levou os sistemas a mudanças significantes, segundo as autoridades.

 

Incidentes recentes, porém, expuseram algumas fraquezas, como no caso dos atentados frustrados no aeroporto de Detroit e no centro de Nova York. Em ambos os casos, as explosões não ocorreram por falhas dos terroristas, e não porque as autoridades agiram a tempo de detê-los.

 

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que a burocracia da reunião de informações de inteligência não está inadministrável, mas admitiu que as vezes é difícil colher tais informações. "Houve tanto crescimento desde os ataques ao WTC que abarcar tudo isso é um grande desafio", disse.

 

O relatório do Washington Post foi compilado pela repórter Dana Priest, ganhadora do prêmio Pulitzer, e por mais cerca de vinte jornalistas. O jornal diz que as investigações foram baseadas em documentos do governo, registros públicos e centenas de entrevistas com autoridades e ex-oficiais militares e da inteligência.

Tudo o que sabemos sobre:
inteligênciaEUAdefesa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.