Irã diz ao Iraque que segurança depende de saída dos EUA

O fim da violência no Iraque depende daretirada das tropas norte-americanas, disse o Irã naquinta-feira ao primeiro-ministro do Iraque, ampliando a trocade acusações entre Washington e Teerã sobre quem é o culpadopela situação no país árabe. O primeiro-ministro Nuri Al Maliki, cada vez mais criticadono Iraque e nos EUA pela falta de avanços na reconciliaçãoentre xiitas e sunitas, fez uma visita ao Irã e recebeu apoiode promessas das autoridades locais. Como agora os dois governos são dominados por xiitas, Irã eIraque vivem uma reaproximação desde a queda do regime deSaddam Hussein, um sunita que havia travado uma guerra de oitoanos contra o Irã (1980-88). Mas militares dos EUA acusam a República Islâmica de armare treinar milícias xiitas para ataque contra as forças deocupação. O Irã rejeita a acusação e atribui a violência noIraque à própria presença dos EUA, que mantêm 162 mil soldadosno país. Bagdá pede aos dois países que negociem e não levem suasdiferenças para o solo iraquiano. "Consideramos a segurança do Iraque como sendo nossaprópria segurança e a da nossa região", disse o vice-presidenteiraniano Parviz Davoudi a Maliki, já na despedida do premiêiraquiano, segundo a agência local de notícias Irna. "O estabelecimento da estabilidade e da calma no Iraquedepende da retirada das forças de ocupação e de um fim às suasinterferências no Iraque e também da autoridade do governo dosr. Maliki", disse Davoudi. Maliki, que também se reuniu com o presidente do Irã,Mahmoud Ahmadinejad, e com outras autoridades, enfrenta pressãopela aprovação de um acordo entre as facções iranianas aindaantes de um relatório dos EUA, em setembro, que será crucialpara a permanência ou retirada das forças norte-americanas. Mas o governo iraquiano está em crise, pois quase metadedos ministros se demitiu ou boicota as sessões. Além disso, onúmero de vítimas dos conflitos sectários cresce continuamente. "Condenamos a trama dos inimigos dos dois países para criara divisão, disputas religiosas e assassinatos no Iraque", disseDavoudi. A visita de Maliki ocorre depois de autoridades iraquianas,iranianas e norte-americanas manterem na segunda-feira aprimeira reunião de uma comissão destinada a estabilizar oIraque. A criação dessa comissão foi o principal resultado dosencontros mantidos em maio e julho em Bagdá por diplomatas doIrã e dos EUA. Foi o contato mais importante entre os doispaíses desde o rompimento das relações diplomáticas, logo apósa Revolução Islâmica de 1979. Os dois países vivem atualmente um grave atrito por causado programa nuclear iraniano, mas apesar disso ambos osgovernos têm interesse em que a situação do Iraque sejacontrolada. "Os terroristas querem assumir o controle das nossas vastascapacidades nos campos político, econômico e cultural, mas coma ajuda de Deus vamos desbaratar todas as suas tramas", afirmouMaliki durante a visita. O Irã prometeu ajudar o Iraque com combustível durante oinverno e também colaborar na construção de uma refinaria,segundo a Irna. O setor petrolífero iraquiano ficou muitodeteriorado devido a décadas de guerras e sanções.

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