Irã diz que Obama deve desculpas por avião abatido

O presidente dos EUA, Barack Obama, deveria pedir desculpas por ter enviado um avião teleguiado ao território iraniano, ao invés de solicitar que ele seja devolvido depois de ter sido abatido, afirmou a chancelaria do Irã nesta terça-feira.

HASHEM KALANTARI, REUTERS

13 de dezembro de 2011 | 14h34

O Irã anunciou em 4 de dezembro que derrubou um avião de espionagem perto da fronteira com o Afeganistão. O aparelho foi depois mostrado na TV, e o governo iraniano disse estar próximo de desvendar seus segredos tecnológicos.

Na segunda-feira, numa entrevista coletiva, Obama pediu ao Irã "(o avião) de volta. Vamos ver como os iranianos respondem". As autoridades iranianas já haviam informado que não pretendem devolver o equipamento.

"Parece que (Obama) esqueceu que nosso espaço aéreo foi violado, que uma operação de espionagem foi conduzida, e que o direito internacional foi pisoteado", disse Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria, em entrevista coletiva.

"Ao invés de um pedido oficial de desculpas pela ofensa que eles cometeram, ele está apresentando uma exigência dessas. A América deve saber que a violação do espaço aéreo do Irã pode ameaçar a paz e a segurança mundiais."

O ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, disse à agência estatal de notícias Irna que "o avião teleguiado de espionagem dos EUA é propriedade da República Islâmica do Irã", e que "Teerã vai decidir o que deseja fazer a esse respeito".

O Parlamento aprovou uma resolução qualificando a incursão aérea como "evidência de terrorismo internacional e flagrante violação do direito internacional pela América agressora". O texto diz que o Irã deve buscar reparações.

O governo também se queixou ao Conselho de Segurança da ONU, pedindo providências que "ponham fim a esses atos perigosos e ilegais".

A Isaf, força da Otan no vizinho Afeganistão, inicialmente disse que o aparelho poderia ser um avião teleguiado de reconhecimento dos EUA, que voa desarmado e que teria se perdido durante uma missão no oeste afegão.

Mas uma pessoa familiarizada com a situação disse posteriormente à Reuters em Washington que o avião fazia uma missão de vigilância no Irã.

O caso complica ainda mais as relações do Irã com o Ocidente, abaladas principalmente por causa do programa nuclear iraniano. Washington e seus aliados acusam Teerã de tentar desenvolver armas nucleares, o que a República Islâmica nega.

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