Irã não ajudou a esclarecer atentado de Buenos Aires, diz Kirchner

Presidente argentino pede para Interpol interceder na captura dos iranianos e do libanês acusados do ataque

Efe,

26 de setembro de 2007 | 02h38

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, acusou na terça-feira as autoridades do Irã de "não terem feito nada para esclarecer" o atentado terrorista de 1994 contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, que deixou 85 mortos. Veja também:Bush ignora Irã e pede defesa da democraciaBush anuncia sanções contra MianmáBan alerta para 'série assustadora de desafios' Chávez cancela discurso na Assembléia GeralPaíses ricos precisam dar exemplo, diz LulaApós dircurso de Bush, Cuba deixa plenário Sarkozy: permitir Irã nuclear pode gerar guerra  "O Irã não colaborou para o esclarecimento" desses fatos, disse o presidente da Argentina, durante seu discurso no debate público da 62ª Assembléia Geral da ONU. O presidente da Argentina, acompanhado de sua esposa, Cristina Fernández de Kirchner, solicitou ainda à Interpol que "interceda" na captura dos seis iranianos e do libanês acusados do ataque. "Fazemos um apelo aqui para que esta Assembléia Geral ratifique essas medidas e esperamos que o Irã, sobre as bases do Direito internacional, aceite e respeite a jurisdição da Justiça argentina, colaborando com os juízes argentinos para levá-los aos tribunais", acrescentou. Em novembro de 2006, um juiz argentino ordenou a captura internacional dos cidadãos iranianos, entre eles o ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, e de um libanês, a partir de um pedido de promotores que considera que o Irã encomendou o ataque contra a Amia ao grupo islâmico Hezbollah. O Irã se negou a entregar os acusados à Justiça argentina e apelou da decisão da Interpol que tinha como objetivo dar prioridade à busca dos supostos envolvidos no ataque. Kirchner reafirmou no plenário da Assembléia Geral das Nações Unidas que infelizmente a República Islâmica do Irã "não facilitou a plena cooperação solicitada pela Justiça argentina". "Pedimos ao secretário-geral (da ONU, Ban Ki-moon) e a todas as nações do mundo que intercedam junto à República Islâmica do Irã para que sejam dados os passos pertinentes. Nosso único objetivo é esclarecer os fatos e julgar os responsáveis pelos ataques", acrescentou o presidente da Argentina. O empenho de Buenos Aires tem a ver com "o respeito à memória das vítimas" e com "a esperança de que a República Islâmica do Irã aplique a lei internacional e coopere de modo que se possa conhecer a verdade, nada mais e nada menos que isso", comentou. Kirchner concluiu que todas as nações, "grandes e pequenas, ricas e pobres" serão muito "vulneráveis" no futuro se não ficar claro que as ações contra o terrorismo "precisam ser fixadas sobre um fundo multilateral, com legitimidade e respeito aos direitos fundamentais dos indivíduos". Ilhas Malvinas O conflito das ilhas Malvinas também esteve presente no discurso do presidente da Argentina na Assembléia Geral. Kirchner se referiu aos "164 anos de ocupação contínua" desse arquipélago do Atlântico Sul por parte do Reino Unido. O líder argentino considerou que é preciso negociar uma "solução pacífica, justa e duradoura", levando em conta as resoluções já aprovadas pela Assembléia Geral e os interesses dos moradores das ilhas. Reiterou que seu governo está disposto a reiniciar os contatos com Londres sobre a questão. "É incompreensível para nós que o Reino Unido evite negociar este assunto (...) Chegou o momento de o Reino Unido enfrentar sua responsabilidade e colocar fim no anacronismo da ocupação ilegal de parte de nosso território só por intenções colonialistas", afirmou .

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