Richard Drew/AP
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Irã quer suspensão dos EUA de órgão executivo da AIEA

Em discurso boicotado por potências, iraniano pede punição a quem ameaça usar armas atômicas

estadão.com.br

03 Maio 2010 | 13h44

NOVA YORK - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu nesta segunda-feira, 3, que os EUA sejam suspensos do comitê executivo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em razão de suas ameaças de usar armas nucleares. A declaração do iraniano foi feita durante a abertura da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) de revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

 

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Em seu discurso, Ahmadinejad pediu "a suspensão dos membros do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica que usam ou ameaçam usar armas nucleares". "Como podem os EUA serem um membro do Conselho de Governadores quando eles usaram armas nucleares contra o Japão?", questionou.

 

A saída dos EUA da AIEA não foi a única solução proposta pelo presidente iraniano. Ele também defendeu a criação de "um grupo internacional independente, tomando sua autoridade a partir da conferência". Segundo Ahmadinejad, o grupo "deveria fixar um prazo para a eliminação total das armas nucleares, com um calendário preciso".

 

Ahmadinejad também condenou a posse de armas nucleares por parte dos EUA e de outros países. O iraniano alega que as potências que mantêm esse tipo de arsenal estimulam outras nações a desenvolver artefatos atômicos e pediu a eliminação total dessas armas.

 

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Além disso, o iraniano pediu punições aos países que ameaçam usar suas armas nucleares, uma clara referência aos americanos e a nova política nuclear do presidente Barack Obama divulgada em abril. "Cogitar o uso de armas nucleares ou atacar instalações com fins pacíficos é uma violação das normas internacionais e paz e segurança", disse Ahmadinejad.

 

Provas e boicote

 

Ahmadinejad ainda disse que não há fundamento nas acusações contra seu país de estaria enriquecendo urânio para produzir um arsenal atômico. Segundo ele, não há "uma única prova" de que o programa nuclear mantido pelo Irã tenha fins pacíficos, motivo pelo qual o Conselho de Segurança da ONU quer aprovar sanções contra a República Islâmica.

 

O discurso do líder da República Islâmica foi boicotado pelos representantes dos EUA, da França e do Reino Unido - os três membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que apoiam a aplicação de sanções contra o Irã por conta do programa nuclear. Assim que Ahmadinejad começou a falar, os delegados dos três países deixaram a sala de convenções da sede da ONU em Nova York.

 

O programa nuclear iraniano é um dos assuntos que deve gerar grande discussão durante a reunião. As potências ocidentais acusam o Irã de manter o programa nuclear para fabricar armas, já que o país persa se recusa a cooperar com as investigações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Teerã, porém, nega as acusações e diz que enriquece urânio para fins pacíficos.

 

(Com informações das agências Efe, Reuters e Associated Press)

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