Jango e Brizola são citados em relatório da CIA

Goulart era ‘oportunista’ e Brasil, ‘o maior alvo dos comunistas no Ocidente’, diz CIA

Agencia Estado

27 Junho 2007 | 14h42

O ex-presidente João Goulart era "um oportunista que subiu ao poder com o apoio da esquerda". Leonel Brizola, o "principal demagogo antiamericano". As análises acima surgiram de uma segunda compilação de documentos que a CIA divulgou na terça-feira, 26. Chamada de "Caesar-Polo-Esau", são 11 mil páginas de análises políticas realizadas entre 1953 a 1973. Entre os 147 relatórios, um faz referência ao Brasil: "A luta sino-soviética em Cuba e o movimento comunista na América Latina." Na parte brasileira do relatório, elaborado em novembro de 1963, a CIA adverte: "O Brasil é o maior alvo dos comunistas no Hemisfério Ocidental." A agência afirma que o Partido Comunista Brasileiro, liderado por Luis Carlos Prestes, vinha lutando por muitos anos, "com certo sucesso", para expandir sua influência na política brasileira. Segundo o relatório da CIA, Prestes contava com o apoio das principais forças esquerdistas e nacionalistas do Brasil. Para a agência americana, o presidente Goulart seria um oportunista que tentava aumentar seu poder fazendo concessões, alternadamente para direita e esquerda. Leonel Brizola, que de acordo com a CIA seria genro de Goulart - na verdade, Jango era cunhado de Brizola -, é citado como um demagogo cuja propaganda seria financiada por industriais. A CIA fala também sobre Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, que teria recebido apoio financeiro de Fidel Castro para preparar um movimento de guerrilha. Segundo a CIA, Fidel Castro conclamou os brasileiros a "se aproveitarem da experiência de Cuba" e iniciar uma guerrilha contra "os militaristas reacionários" que teriam forçado o presidente Jânio Quadros a renunciar. O líder cubano também teria incitado os comunistas brasileiros a seguirem o modelo venezuelano, com organização de atividades de guerrilha e protestos nas cidades. A Igreja Católica e as comunidades eclesiais de base também são alvo de advertências da CIA. No relatório "A Igreja engajada e mudança na América Latina", de setembro de 1969, a agência afirma que, "depois de atuar por séculos como uma força do conservadorismo, a Igreja Católica se tornou criadouro de grupos sociopolíticos que apóiam a mudança revolucionária no continente".

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