Jaycee pode sofrer de Síndrome de Estocolmo, diz padrasto

Menina raptada e confinada por 18 anos teria confessado ter afeição pelo captor

BBC Brasil, BBC

31 de agosto de 2009 | 08h42

Jaycee Lee Dugard só conseguiu sobreviver a 18 anos de cativeiro porque desenvolveu uma relação afetiva com o homem que a raptou, estuprou e com quem teve duas filhas, disse o padrasto da americana sequestrada aos 11 anos, Carl Probyn, em entrevista à BBC.

Ele afirmou que acredita que ela não tenha tentado fugir de Phillip Garrido, suspeito de ter praticado o crime, por causa de sua personalidade afável. "Jaycee era uma menina muito meiga. Ela não chorava. Ela tinha filhos (com o captor) e ... é a Síndrome de Estocolmo (referência ao comportamento das vítimas de uma assalto em 1973, na Suécia, que defenderam seus captores mesmo depois de libertadas)."

"Os três formaram uma ligação afetiva depois de 18 anos", afirmou na emissora britânica de rádio da BBC, 5 Live. "Eu acho que elas não eram amarradas e espancadas todos os dias". "Foi como ela sobreviveu. Você já ouviu falar de uma vítima de sequestro que sobreviveu por 18 anos? Ela tinha uma personalidade que facilitava integração". "Eu acredito que ela queria se manter viva."

'Choro'

O padrasto de Dugard disse ainda que as filhas que ela teve em cativeiro - que têm 11 e 15 anos - reagiram mal à prisão de Phillip Garrido. "Ele era o pai delas. Elas choraram quando ele foi preso. Jaycee teve que explicar a situação, que ela tinha sido sequestrada."

Philip Garrido, de 58 anos de idade, foi preso junto com sua mulher, Nancy, na última quarta-feira. Ele é acusado de sequestrar Dugard em 1991, enquanto ela se dirigia até um ônibus escolar perto de sua casa, em South Lake Tahoe, na Califórnia. Ela teria vivido durante anos com as duas crianças em barracas e tendas no quintal da casa do suposto sequestrador, em Antioch, perto de São Francisco.

Anteriormente, a polícia admitiu ter perdido uma oportunidade de resgatar Jaycee Lee Dugard há três anos. Durante uma entrevista coletiva na sexta-feira, um porta-voz da polícia, xerife Warren Rupf, afirmou que, em novembro de 2006, após uma ligação de um vizinho, um policial foi até o local onde Dugard estaria sendo mantida como refém, sem, no entanto, entrar na casa de Phillip Garrido.

Ele e a mulher, Nancy, estão detidos e devem comparecer diante de um tribunal no próximo dia 14 de setembro. Em uma audiência na última sexta-feira, os dois acusados se declararam inocentes das 29 acusações relacionadas ao caso que pesam contra eles, incluindo o sequestro de Dugard. Jaycee Lee Dugard e suas duas filhas estão agora hospedadas em um hotel nas proximidades de São Francisco.

Prostitutas

A polícia anunciou que vai encerrar em breve uma revista da propriedade de Garrido, pois suspeita que ele pode estar envolvido em outros crimes. As autoridades buscavam provas ligadas ao assassinato não solucionado de várias prostitutas na década de 90. Vários corpos foram encontrados em uma área industrial perto de onde Garrido trabalhava.

 

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