Jornalista está sob custódia do Exército iraquiano

Irmão do repórter que lançou sapatos em Bush afirma que ele está sendo espancado e estaria ferido na prisão

Associated Press e Reuters,

16 de dezembro de 2008 | 08h28

O jornalista Muntadar al-Zaidi, que jogou seus sapatos no presidente dos EUA, George W. Bush, está sob custódia do Exército iraquiano, segundo afirmaram oficiais do país nesta terça-feira, 16, enquanto centenas de pessoas voltaram a ocupar as ruas pedindo pela sua libertação. Ele enfrentará investigações do comando militar de segurança de Bagdá. Segundo seu irmão, al-Zaidi foi espancado na prisão e está ferido.   Veja também: Blog do Guterman: Quando um sapato é um manifesto político Gesto de repórter iraquiano é retrato do fim da era Bush Assista ao vídeo da AP com incidente   Veja seqüencia de fotos com a sapatada    Segundo oficiais que falaram sob anonimato, al-Zaidi foi levado sob custódia e interrogado sobre a possibilidade de ter sido pago para lançar seus sapatos no presidente Bush durante a entrevista coletiva de domingo. Ele pode ser acusado de insultar um líder estrangeiro e o premiê iraquiano, que estava ao lado de Bush no momento do incidente. A pena pode chegar a dois anos de detenção.   Seu irmão, Dhirgham al-Zaidi, afirmou à BBC que o jornalista teve a mão e as costelas quebradas por conta do espancamento e teria sofrido sangramento interno e um ferimento no olho. A BBC tentou entrar em contato com o Conselheiro de Segurança Nacional iraquiano, Mowaffaq al-Rubaie, mas ele não estava disponível para comentar as alegações feita pelo irmão do jornalista. Dhirgham disse ainda que vários advogados se ofereceram para ajudar o irmão, mas que nenhum deles teve acesso a al-Zaidi desde que ele foi detido.   Em Mossul, na terceira maior cidade do Iraque, cerca de mil manifestantes pediram pela libertação de al-Zaidi. Centenas de pessoas também protestaram em Nasiriyah, cidade xiita a cerca de 320 quilômetros de Bagdá, e em Fallujah, cidade sunita dos arredores da capital. "Muntadar al-Zaidi manfiestou os sentimentos e ambições do povo iraquiano contra o símbolo da tirania", afirmou um dos manifestantes. Segundo os costumes iraquianos, mostrar a sola de um sapato é uma ofensa grave, que equivale a dizer que a pessoa é inferior à sujeira do calçado. Arremessar os sapatos é ainda mais ultrajante.   Anteriormente, o jornalista já foi seqüestrado por milicianos e detido por soldados americanos. Ele ainda é um admirador do revolucionário cubano-argentino Ernesto Che Guevara. Na segunda, um dia depois do ataque, os três irmãos e a irmã de al-Zaidi se reuniram no modesto apartamento no oeste de Bagdá, e afirmaram que temem pela segurança do irmão, que poderia ser torturado. Eles ainda se mostraram muito orgulhosos da atitude do repórter. Al-Zaidi, um xiita solteiro de 28 anos, mostrou seu ódio pela ocupação militar americana e também contra o que considera a ocupação "moral" do Irã, segundo afirmaram seus familiares.   O ato converteu o jornalista desconhecido de uma emissora de pequena importância em um herói nacional para muitos iraquianos fartos da ocupação americana desde 2003. Em entrevista após a tentativa de agressão, Bush qualificou o episódio de "um dos momentos mais bizarros" de seus oito anos de presidência. Ele reagiu com bom humor ao ataque com sapatos e, na hora, declarou aos repórteres: "Só posso dizer que era número 42." Apesar de o jornalista ter sido rapidamente imobilizado, sua ação reforçou preocupações quanto à segurança da Zona Verde, área de segurança máxima onde foi realizada a coletiva.

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueeUAsapatadaGeorge W. Bush

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.