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Jovem somali chega a Nova York para julgamento por pirataria

Processo será o primeiro nos EUA em mais de um século; mãe de sequestrador de navio dos EUA apela a Obama

AP e Efe,

21 de abril de 2009 | 09h55

Um jovem pirata somali chegou na noite de segunda-feira, 21, a Nova York, para enfrentar o que acredita-se que seja o primeiro julgamento por pirataria nos Estados Unidos em mais de um século. Abdiwali Abdiqadir Muse é o único sobrevivente de um grupo de piratas que sequestrou um navio americano em águas africanas no começo do mês.

 

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O jovem partiu da África para Nova York no mesmo dia em que sua mãe apelou para o presidente americano Barack Obama pelo caso do filho. Segundo ela, Abdiwali foi seduzido pelo dinheiro. "Eu apelo para o presidente Obama perdoar meu adolescente. Peço que ele liberte meu filho ou pelos menos deixe que eu o veja durante o julgamento", disse Adar Abdirahman Hassan, de Galkayo, na Somália, por telefone.

 

Ainda nesta terça-feira, um documento do Centro de Informação sobre a Pirataria informou que os ataques de piratas embarcações em todo o mundo quase duplicaram no primeiro trimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo os dados divulgados pelo organismo, com sede em Kuala Lumpur e que é subordinado à Organização Marítima Internacional (OMI), entre janeiro e março deste ano ocorreram 102 ataques de piratas, frente aos 53 ocorridos no primeiro trimestre de 2008.

 

Este grande aumento se deve à crescente atividade das piratas na costa leste da Somália e no golfo de Áden, onde 61 embarcações foram atacadas nos primeiros três meses de 2009. No mesmo período do ano passado, houve apenas seis ataques do gênero na mesma região. Os dados da entidade da OMI revelam que, no primeiro trimestre deste ano, 34 navios e 178 tripulantes foram sequestrados por piratas.

 

De acordo com o Centro de Informação sobre a Pirataria, as precauções adotadas pelas embarcações que navegam pelas águas do golfo de Áden e da Somália, assim como a presença de forças navais internacionais, evitaram várias tentativas de sequestro por parte de Piratas.

 

LIBERTAÇÃO

 

Também nesta terça, piratas somalis libertaram os 23 tripulantes filipinos de um cargueiro com bandeira do mesmo país sequestrado há seis meses no Golfo de Áden, anunciou a empresa proprietária da embarcação. Um porta-voz da companhia mercante Sagana Shipping Lines declarou a uma emissora de rádio local que o "MT Stolt Strength" foi posto em liberdade após aceitar as "exigências" de seus sequestradores, embora não tenha precisado se um resgate foi pago.

 

O cargueiro foi sequestrado em 10 de novembro por piratas armados com metralhadoras e lança-granadas nas águas do Golfo de Áden, considerado atualmente a rota marítima mais perigosa do mundo. Outros 80 filipinos continuam nas mãos de piratas somalis e quase 300 foram sequestrados desde 2006, segundo dados do Ministério de Assuntos Exteriores.

 

No fim de semana, o Governo das Filipinas proibiu seus marinheiros de entrar no Golfo de Áden para reduzir o número de reféns. Além disso, o país decidiu enviar seu primeiro oficial naval para que supervisione o trabalho dos patrulheiros das Nações Unidas na região.

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