Juiz ignora Obama e mantém ação contra preso de Guantánamo

Apesar da ordem do presidente para congelamento de processos, audiência militar de saudita segue marcada

AP e Efe,

29 de janeiro de 2009 | 16h02

Um juiz militar de Guantánamo desafiou o novo governo dos Estados Unidos ao se recusar a suspender por 120 dias o processo contra um detido na base naval, como havia solicitado o presidente Barack Obama logo após sua posse. Segundo o jornal Washington Post, o juiz James Pohl decidiu manter a audiência convocada para 9 de fevereiro contra o saudita Abd al-Rahim al-Nashiri, acusado de ter participado do ataque da Al-Qaeda contra um navio de guerra americano em outubro de 2000, no qual 17 pessoas morreram e 40 ficaram feridas. Veja também:Saiba mais sobre a base naval de Guantánamo  A decisão de Pohl pode obrigar o Pentágono a tomar a única decisão possível para suspender o processo, que é retirar as acusações contra o detido, destaca a publicação. A medida ameaça os planos de Obama de suspender todos os processos de Guantánamo por quatro meses, manobra à qual recorreu com o objetivo de ganhar tempo para planejar o fechamento da prisão. Durante sua campanha eleitoral, Obama prometeu que fecharia Guantánamo. Agora, seu Governo busca mecanismos legais para pôr um ponto final aos processos nos quais não há acusações comprováveis e dar continuidade, sob outra jurisdição legal, àqueles em que há evidências sólidas. Apenas poucas horas de tomar posse, Obama instruiu seu secretário de Defesa, Robert Gates, para que pedisse aos juízes militares em Guantánamo a suspensão por 120 dias dos processos contra os detidos que permanecem na base naval. No dia seguinte, um dos juízes militares, o coronel Patrick Parrish, suspendeu, sem sequer convocar uma audiência, o processo contra o canadense Omar Khadr, um das centenas de homens que permaneceram anos detidos em Guantánamo sem julgamento. No mesmo dia, o coronel Stephen Henley também suspendeu os processos contra cinco homens acusados de envolvimento com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O procedimento para fechar Guantánamo será complicado, já que, atualmente, permanecem na prisão - localizada no oeste de Cuba - cerca de 250 presos. Uma parte deles, entre 50 e 60, segundo fontes de Washington, recebeu a autorização para serem libertados, e o novo governo planeja transferi-los a terceiros países.

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