Juiz militar para o 11/09 em Guantánamo deixa o cargo

Coronel Ralph Kohlmann era responsável pelo processo contra o suspeito de ser o cérebro dos atentados

Reuters,

18 de novembro de 2008 | 08h16

O juiz militar encarregado de julgar o suspeito de ser o cérebro dos ataques de 11/09, o paquistanês Khalid Sheikh Mohammed, decidiu deixar o cargo e não continuar à frente do complexo processo, segundo informaram fontes do Pentágono no fim da segunda-feira, 17. O coronel Ralph Kohlmann, líder da comissão militar que julga os acusados de terrorismo que aguardam por uma decisão em Guantánamo, base militar americana em Cuba, sairá cinco meses antes do previsto. Em seu lugar, foi nomeado o coronel Steve Henley. Fontes da Defesa asseguram que Kohlmann decidiu deixar o processo depois de concluir que o processo judicial se estenderia além do previsto. Khalid Sheikh Mohammed, antigo chefe de operações da Al-Qaeda e que admitiu ser o cérebro dos atentados e também responsável pelo assassinato do jornalista do Wall Street Journal David Pearl, é acusado de ser o terrorista que planejou os atentados em Nova York e Washington. Ele enfrenta o processo militar com outros quatro suspeitos também detidos em Guantánamo. Mohammed - principal dirigente da Al-Qaeda sob custódia dos EUA - e seus quatro colaboradores - Ramzi Binalshibh, Mustafa Ahmed al Hawsawi, Walid bin Attash e Ali Abdul Aziz Ali - são acusados de conspirar para o assassinato de 2.973 pessoas, número total de vítimas provocadas pelo choque dos aviões contra as torres do World Trade Center, no Pentágono e em um campo da Pensilvânia. O presidente dos EUA eleito, Barack Obama, reiterou no domingo durante sua primeira entrevista na após as eleições que tentará fechar a prisão em solo cubano por conta das denúncias de tortura. A União Americana de Liberdades Civis, que luta pelo fechamento de Guantánamo, sugeriu em um comunicado que a saída do juiz militar poderia ser conseqüência dos planos de Obama para a prisão militar. "O momento escolhido para anunciar a mudança na comissão militar que julgará os casos do 11/09 é altamente suspeito e inquietante", afirmou o diretor executivo da União Americana, Anthony Romero. Ele assegurou ainda que a administração Bush poderia tentar "sabotar" os planos de Obama e "modificar o processo na última hora". Porém, outra fonte da Defesa consultada pela Reuters afirmou que não há nada de suspeito na saída do juiz. As audiências serão retomadas em 8 dezembro.

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