Julgamento de Guantánamo exibe vídeo com ataques de 11/09

Ospromotores do caso em que é réu o motorista de Obama bin Ladenexibiram um vídeo na segunda-feira com imagens dos ataques de11 de setembro de 2001 e de outras operações da rede Al Qaeda. Esse tipo de estratégia, segundo se prevê, deve ser adotadapela acusação ao longo dos vários processos de crime de guerraainda pendentes. O vídeo intitulado "The Al Qaida Plan" (o plano da AlQaeda) lembra o "The Nazi Plan" (o plano nazista), feito pelodiretor George Stevens e exibido nos julgamentos de crime deguerra de Nuremberg, em que figuraram como réus os líderes daAlemanha nazista. A frase "Oh! Meu Deus" fez-se ouvir diversas vezes enquantoa multidão observava o colapso do World Trade Center, no filmeexibido apesar dos protestos da defesa de Salim Hamdan, julgadopor conspiração para a prática de atos terroristas. O painel de seis membros que julgará o destino de Hamdantambém viu, no filme, as imagens dos corpos das vítimas deatentados a bomba contra embaixadas norte-americanas na Áfricae o corpo de um soldado arrastado pelas ruas de uma cidade daSomália em 1993. O "The Al Qaida Plan" foi feito com um orçamento de 20 mildólares pelo consultor em terrorismo Evan Kohlmann, para oEscritório de Comissões Militares, responsável por julgar osacusados de terrorismo mantidos presos há anos na base militardos EUA da baía de Guantánamo (Cuba). Os 90 minutos da produção mostram a história da Al Qaeda,desde sua formação em 1988 até os ataques de setembro de 2001. O principal promotor do caso, coronel Lawrence Morris,disse que a fita seria usada em outros julgamentos. Os advogados de Hamdan afirmaram que o filme impediria ojúri de avaliar o caso de forma imparcial. "Eles estão tentandoaterrorizar os membros (do júri)", afirmou Charles Swift,advogado de Hamdan. O juiz Keith Allred autorizou a exibição após ter dito queela serviria antes para prejudicar a capacidade de julgamentodos jurados do que para convencê-los de algum argumento. Um ponto central do julgamento de Hamdan é determinar seupapel dentro da Al Qaeda. A defesa diz que o réu, preso em 2001dirigindo um carro no qual havia dois mísseis terra-ar, eraapenas um motorista sem importância de Bin Laden. A promotoriaacusa-o de ser um guarda-costas de confiança do líder da AlQaeda. Na segunda-feira, o Pentágono anunciou ter apresentadoacusações formais contra um outro detento de Guantánamo e terlibertado três do campo prisional. Abdul Ghani foi acusado de tentativa de assassinato, proverapoio material a atividades terroristas, disparar foguetes,plantar bombas contra forças lideradas pelos EUA no Afeganistãoem 2001 e 2002 e tentar matar um soldado afegão em 2002. O Pentágono afirmou ainda ter libertado três detentos -- umpara o Afeganistão, outro para os Emirados Árabes Unidos eoutro para o Catar. Segundo o órgão, outros 65 prisioneirospodem ser transferidos ou libertados dentro em breve.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.