Julian Assange ironiza Obama em vídeo durante evento na ONU

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, falando por meio de um conexão de vídeo ruim de sua prisão domiciliar em Londres, disparou contra o presidente norte-americano, Barack Obama, na quarta-feira, por apoiar a liberdade de expressão no Oriente Médio ao mesmo tempo que "persegue" sua organização por ter vazado correios diplomáticos.

BRIAN WINTER, Reuters

27 de setembro de 2012 | 08h02

Assange, que está abrigado na embaixada equatoriana em Londres desde junho para evitar uma extradição, fez os comentários durante um evento lotado realizado à margem da Assembleia-Geral da ONU.

Assange ironizou Obama por defender a liberdade de expressão no mundo Árabe em um discurso à Organização das Nações Unidas, apontando para sua própria experiência como prova de que Obama "fez mais para criminalizar a liberdade de expressão do que qualquer outro presidente dos EUA".

"Deve ter sido uma surpresa para os adolescentes egípcios que lavaram o gás lacrimogêneo norte-americanos de seus olhos (durante a Primavera Árabe) ouvir que os EUA apoiaram as mudanças no Oriente Médio", disse Assange.

"É hora de o presidente Obama conter suas palavras... e para os EUA acabarem com sua perseguição ao WikiLeaks", afirmou.

Os comentários combativos de Assange, somando-se às declarações do chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, e seus outros aliados no evento, sugeriram que não há nenhuma solução à vista para o impasse diplomático envolvendo o australiano de 41 anos.

Autoridades britânicas cercaram a embaixada equatoriana e afirmam que caso Assange ponha o pé para fora, eles irão prendê-lo e extraditá-lo para a Suécia para enfrentar acusações por estupro e assédio sexual.

Os advogados de Assange e o governo equatoriano temem que isso possa levar a uma extradição aos EUA, onde afirmam que ele poderia enfrentar condições desumanas de prisão e até pena de morte.

O fundador do WikiLeaks, que parecia estar em bom estado de saúde ao aparecer sentado a uma mesa diante de uma prateleira de livros ao falar para cerca de 150 pessoas no evento, disse que a Grã-Bretanha e a Suécia recusaram-se até agora a fornecer garantias de que ele não seria extraditado aos Estados Unidos.

Fontes do governo norte-americano e da Suécia alegaram que os EUA não emitiram nenhuma acusação criminal ou fizeram qualquer tentativa de conseguir a extradição de Assange.

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