Júri de Guantânamo condena assessor de imprensa de Bin Laden

Um tribunal militar dos EUA anunciou nesta segunda-feira a condenação de um secretário de mídia de Osama bin Laden pelos crimes de conspiração com a Al Qaeda, indução ao homicídio e apoio material ao terrorismo. O iemenita Ali Hamza Al Bahlul é o segundo homem a ser condenado pelo tribunal militar montado na base naval norte-americana de Guantânamo, encravada em Cuba. Ainda na segunda-feira ele será sentenciado, talvez até à prisão perpétua. O júri de nove oficiais militares deliberou durante quatro horas até chegar ao veredicto, na sexta-feira, após uma semana de julgamento. Interrogadores do FBI disseram ao júri que Bahlul preparou o testamento gravado em vídeo por dois militantes suicidas do 11 de Setembro de 2001 e produziu um comercial de duas horas destinado a arregimentar homens-bomba. Nesse vídeo, cheio de imagens sangrentas de violência contra muçulmanos, o ataque ao navio norte-americano USS Cohen, em 2000, é citado como sendo parte "da solução". Três nova-iorquinos que viram o vídeo em um campo de treinamento no Afeganistão depuseram que ficaram tão horrorizados que preferiram voltar aos EUA sem aderir à Al Qaeda. Os jurados concordaram que o vídeo era uma forma de indução ao homicídio. As acusações feitas pelo governo não foram contestadas. Bahlul não pôde advogar em causa própria e demitiu um advogado militar que ele considera seu inimigo, o major-aviador David Frakt, que assistiu à sessão calado. Bahlul não foi acusado de participar dos ataques nem de ter qualquer conhecimento prévio a respeito. Mas os jurados concordaram que ele aderiu à Al Qaeda no Afeganistão em 1999 e atuou como assessor de imprensa de Bin Laden até sua captura, no final de 2001. O júri também aceitou provas de que ele teria tentado sem sucesso montar uma conexão de satélite para que Bin Laden assistisse ao vivo à cobertura dos atentados de 11 de setembro de 2001. Bahlul, um dos cerca de 255 homens ainda mantidos em Guantânamo, é apenas o segundo a ser julgado sob o polêmico sistema criado pelo governo Bush para processar suspeitos de terrorismo capturados no exterior. Um terceiro preso fez um acordo judicial para se declarar culpado sem ser levado a julgamento. Até o final do mandato do presidente George W. Bush, em janeiro, há apenas mais um julgamento marcado, o de um jovem afegão acusado de atirar uma granada que feriu dois soldados dos EUA e seu intérprete. Na semana passada, um juiz rejeitou provas apresentadas no processo, argumentando que o réu Mohammed Jawad havia feito confissões sob tortura à polícia afegã. O juiz ainda está avaliando um pedido da defesa para arquivar o caso.

JANE SUTTON, REUTERS

03 de novembro de 2008 | 17h41

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