Júri dos EUA acusa 5 por escândalo da maleta na Argentina

Um júri dos Estados Unidos acusouformalmente, nesta quinta-feira, quatro venezuelanos e umuruguaio suspeitos de agirem como agentes disfarçados dogoverno venezuelano que teriam tentado encobrir o contrabandode 800 mil dólares em espécie para a Argentina. O processo formaliza as acusações feitas na semana passada,quando quatro dos cinco sul-americanos foram detidos nos EUApor ligação com o caso, que despertou tensões diplomáticasentre Washington e Buenos Aires. Promotores norte-americanos disseram que os homensrepresentavam o governo anti-Estados Unidos do presidentevenezuelano, Hugo Chávez, e alegaram no tribunal que um delesteria dito que o dinheiro seria destinado à campanhapresidencial de Cristina Kirchner, que venceu as eleições deoutubro. Os processados pelo júri norte-americano são MoisesMaionica, 36, Rodolfo Wanseele Paciello, 40, Franklin Duran,40, e Carlos Kauffmann, 35, que estão sob custódia na Flórida,e José Canchica Gómez, 37, que ainda está em liberdade. Os homens podem pegar até 10 anos de prisão e multas de 250mil dólares. O caso surgiu em agosto, quando o venezuelano GuidoAntonini Wilson foi flagrado com uma maleta cheia de dinheirotentando entrar de forma ilegal na Argentina, país após terdesembarcado em Buenos Aires saído de um avião alugado pelogoverno argentino. Nesta quinta-feira, uma testemunha que se apresentou dianteda Justiça da Argentina afirmou que Wilson esteve na sede dogoverno argentino dias depois do incidente. A promotora argentina encarregada da investigação realizadadentro do país afirmou que a testemunha, uma assistente dofuncionário responsável por fretar o avião no qual chegouAntonini Wilson, declarou que o venezuelano tinha comparecido àCasa Rosada dois dias após haver sido flagrado com a maleta. "Confirmo que sim, que essa declaração consta do depoimentodessa senhorita sobre a presença de Antonini Wilson no dia 6(de agosto) na sede do governo", afirmou à rádio Del Plata apromotora María Luz Rivas Diez. "Aparentemente, o suspeito reuniu-se com outras pessoas,durante algo parecido com uma celebração e durante um eventooficial, assinando documentos relativos a convênios firmadoscom a Venezuela", acrescentou Rivas Diez sobre a declaração datestemunha, que também viajou no avião. (Por Damián Wroclavsky e Kevin Gray)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.