Andrew Innerarity/Reuters
Andrew Innerarity/Reuters

Kanye West realiza seu primeiro comício de campanha

Em evento realizado na cidade de Charleston, na Carolina do Sul, rapper fez discurso divagante no qual falou sobre aborto, pornografia e política

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2020 | 21h14

Embora tenha sido dito que Kanye West abandonou a corrida presidencial de 2020, o rapper realizou seu primeiro evento de campanha em Charleston, na Carolina do Sul, na noite de domingo, 19, "apenas para convidados registrados".

Em seu comício para campanha presidencial anunciada em 4 de julho à Casa Branca, West apareceu no palco com "2020" raspado na parte de trás da cabeça e vestindo o que parecia ser um colete de estilo militar. Ele protestou contra o aborto e  a pornografia, discutiu a política com os participantes e em certo momento até caiu em lágrimas.

Antigo apoiador do presidente Donald Trump, West deixou os eleitores confusos sobre se sua campanha é genuína ou apenas um golpe publicitário para ajudar a vender álbuns e mercadorias.

Em observações que duraram pouco mais de uma hora, ele convocou membros aleatórios a falar e fez comentários divagantes que deixaram até mesmo os presentes murmurando em descrença. "Harriet Tubman nunca libertou os escravos. Ela só fez os escravos trabalharem para outros brancos", disse ele em certo momento ao discutir a desigualdade econômica. 

Ao ser questionado sobre aborto, West caiu em prantos ao lembrar como seu pai queria interromper a gravidez de sua mãe e que ele pensou em fazer a mesma coisa quando sua esposa, Kim Kardashian, estava grávida. "Eu quase matei minha filha", disse ele. O rapper afirmou que acredita que o aborto deve ser legal, mas propôs algo chamado  "aumento máximo", que consistiria em dar "um milhão de dólares ou algo assim" para mulheres que tiverem bebê, em uma tentativa de convencê-las de terminar a gravidez. 

West se referiu à Bíblia e aos ensinamentos cristãos várias vezes, e caiu em lágrimas em um ponto enquanto descrevia como ele quase foi abortado por seus pais. "A única coisa que pode nos libertar é obedecendo as regras que nos foram dadas por uma terra prometida", disse ele. "O aborto deve ser legal, porque adivinha? A lei não é de Deus de qualquer maneira, então o que é legalidade?"

O evento, que foi transmitido ao vivo no YouTube e realizado em estações de televisão locais, teve poucas semelhanças com eventos típicos de candidatos polidos. O local parecia não ter microfones de audiência, então West repetidamente disse à multidão para ficar em silêncio para que os membros da plateia que ele chamou pudessem ser ouvidos./REUTERS, EFE

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