Katrina faz 2 anos e Bush promete dias melhores a Nova Orleans

Presidente visita a região e tenta minimizar reclamações sobre a lentidão na recostrução da cidade mais atingida

Reuters e Efe,

29 de agosto de 2007 | 15h17

A cidade de Nova Orleans lembrou nesta quarta-feira, 29, os dois anos da passagem do furacão Katrina, pior desastre natural da história dos Estados Unidos. A cerimônia contou com a participação do presidente George W. Bush, que prometeu um maior comprometimento e "dias melhores" para a cidade.  Veja também Furacão Katrina faz dois anos e vira livro Brasileiros trabalham na reconstrução Bush comete gafe em discurso   Fortemente criticado pela postura do governo federal diante do desastre que arrasou a cidade, Bush fez sua 15ª visita à região tentando aplacar as reclamações pela lentidão no trabalho de reconstrução.   "Minha atitude é essa: Nova Orleans, dias melhores virão. Às vezes é difícil para as pessoas enxergarem o progresso quando se vive o tempo todo na comunidade", disse ele depois de fazer um minuto de silêncio às 9h38, horário local, marcando o momento em que os diques romperam e a cidade começou a ser inundada.   Já engajado na campanha presidencial para as eleições de 2008, o Partido Democrata está usando Nova Orleans como o símbolo das falhas do governo Bush. O Katrina inundou 80% de Nova Orleans e matou cerca de 1.400 pessoas. Só 60% da população original da cidade, de 500 mil habitantes, retornou a Nova Orleans após o desastre.   "Se o governo de George Bush fosse tão bom, tão decente e tão dedicado quanto o povo de Nova Orleans, não pareceria em algumas partes da cidade que a tempestade acabou de passar", disse o democrata John Edwards, que lançou sua campanha presidencial no ano passado na região mais atingida de Nova Orleans. "Isso é uma tragédia nacional", disse ele numa nota.   O discurso de Bush teve um tom mais esperançoso. Da primeira escola pública a reabrir no bairro mais atingido da cidade, ele falou sobre a recuperação: "A cidade está voltando. Está melhor hoje do que estava ontem. E vai estar melhor amanhã do que está hoje", disse. Em setembro de 2005, Bush proferiu um discurso emocionado ao país, declarando: "Esta grande cidade vai se reerguer."   Cerimônicas distintas   O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, prestou sua homenagem em outro ponto da cidade, falando à população no exato momento em que os diques de contenção se romperam. Todos os presentes estavam com pequenos sinos que fizeram soar em uníssono durante mais de um minuto.   "Fazemos soar os sinos por uma cidade que se recupera, que luta e faz milagres diariamente", afirmou o prefeito, um democrata.   As escolhas por cerimônias distintas entre o prefeito e o presidente são um sinal de que as cicatrizes políticas geradas pelo desastre ainda não estão cicatrizadas.   A comitiva de Bush passou por dezenas de casas e lojas lacradas. Há críticas sobre a reconstrução da infra-estrutura pública, como o sistema de água e esgoto, os hospitais e os transportes, o que impede os moradores de voltar.   O governo Bush diz que a administração federal disponibilizou cerca de US$ 96 bilhões dos US$ 114 bilhões alocados para a reconstrução de Nova Orleans e da costa do golfo.   Confiança nos diques   Acompanhado o tempo todo por sua mulher, Laura, Bush advertiu que a reconstrução de Nova Orleans não será total "até que haja confiança nos diques" de contenção. Eles se romperam em 29 de agosto de 2005, deixando que a água alagasse totalmente a cidade.   Para isso, Bush anunciou sua intenção de pedir ao Congresso US$ 5 bilhões dos US$ 7,6 bilhões considerados necessários para reforçar o sistema de drenagem e os diques, de modo que possam enfrentar um furacão da categoria e da intensidade do "Katrina".   Os diques de Nova Orleans ainda não estão preparados para suportar um furacão similar, algo que, segundo especialistas, so será conseguido em 2015.   Ainda não se vê a recuperação nas ruas da cidade, salvo nas áreas mais turísticas, já que alguns bairros continuam praticamente em ruínas. Milhares de casas estão rodeadas de escombros, algumas escolas permanecem fechadas e os hospitais não operam em 100% de sua capacidade.

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