Laços da América Latina com Irã são 'péssima ideia', diz Hillary

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, advertiu os países da América Latina nesta sexta-feira a não se aproximarem muito do Irã, classificando isso como uma "péssima ideia" que pode ter consequências.

REUTERS

11 de dezembro de 2009 | 16h06

Hillary disse que os EUA estavam cientes de que o Irã havia intensificado suas atividades diplomáticas na região, citando especialmente Venezuela e Bolívia.

"Podemos apenas dizer que é uma péssima ideia para os países envolvidos", disse Hillary a repórteres sobre as relações do Departamento de Estado com a América Latina.

"Eles (Irã) são o principal apoiador, promotor e exportador de terrorismo no mundo hoje. Se as pessoas querem flertar com o Irã, elas deveriam pensar nas consequências. E esperamos que elas pensem duas vezes".

A secretária de Estado norte-americana não mencionou o envolvimento do Irã com o Brasil, país que recebeu a visita oficial do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em 23 de novembro.

Brasil e Irã mantêm relações diplomáticas desde 1903 e assinaram vários acordos bilaterais durante a polêmica visita. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inclusive defendeu o direito iraniano a um programa nuclear para fins pacíficos, o que é contestado pelos EUA.

Presidentes de esquerda da América Latina, incluindo o venezuelano Hugo Chávez, o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa, são críticos mordazes da política externa norte-americana e estreitaram os laços com Irã, Rússia e outros países nos últimos anos.

Os comentários de Hillary Clinton estão entre os mais duros já feitos por Washington sobre os laços crescentes entre alguns países da América Latina e o Irã, acusado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, e por outros líderes ocidentais de tentar desenvolver armas nucleares.

"INSTITUIÇÕES FORTES"

Hillary disse que Washington continuaria a manifestar preocupação sobre a Venezuela -- onde Chávez venceu um referendo em fevereiro que lhe dá a permissão de concorrer à reeleição por tempo indeterminado -- e a Nicarágua, onde a Suprema Corte abriu o caminho em outubro para que o presidente Daniel Ortega tente um novo mandato em 2011.

"A democracia não tem a ver com líderes individuais, mas com instituições fortes" disse Hillary. "Bons líderes vêm e vão. Obviamente, tivemos nossa própria experiência neste país com isso", disse ela, acrescentando que Washington também espera ver mudanças em Cuba.

"Todos esperamos que, em um futuro não muito distante, sejamos capazes de ver uma Cuba democrática... algo que seria extraordinariamente positivo para nosso hemisfério".

Ela defendeu a reação dos EUA ao golpe em Honduras, dizendo que Washington buscara uma "posição pragmática, íntegra e multilateral" com vistas a restaurar a democracia no país da América Central.

A resposta dos EUA ao golpe - estimulando Honduras a seguir com as eleições marcadas previamente e apoiando o acordo de Tegucigalpa para resolver a crise - fez estremecer as relações com países da América Latina, inclusive o Brasil e a Argentina, porque o líder deposto, Manuel Zelaya, não foi restituído ao poder.

Respondendo a uma questão sobre a influência crescente da China na América Latina, Hillary disse que os EUA estavam pedindo que os governos regionais mantivessem uma postura cautelosa.

"Não temos nenhum problema com nenhum país, como a China, envolver-se em atividades econômicas, empresariais, comerciais, com qualquer país de qualquer lugar", disse ela.

"Mas queremos que os governos negociem duro. Não queremos ver a corrupção favorecendo as fortunas de poucos líderes e enfraquecendo a sustentabilidade da economia e do ambiente e os recursos naturais de qualquer país".

(Reportagem David Alexander)

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