Laços entre UE e EUA devem estacionar até o próximo ano

As relações entre a Europa e osEstados Unidos se recuperaram do trauma da guerra no Iraque,mas ainda estão fortemente restritas em gerir crises até que anova administração norte-americana assuma o poder, dizemespecialistas. Washington e as nações européias se juntaram para abrandaras crises nos mercados financeiros mundiais e conter conflitosno Oriente Médio, nos Bálcãs e no Afeganistão. Mas uma ação decisiva sobre assuntos importantes -- queabrangem do Irã até as mudanças climáticas -- é improvável atéque um novo presidente assuma a Casa Branca em janeiro próximo,afirmam autoridades de governo, líderes financeiros e analistasno fórum anual de Bruxelas neste fim de semana. "O relacionamento transatlântico apertou o botão de pausa",afirmou Craig Kennedy, presidente do Fundo Marshall Alemão,principal organizador do fórum de líderes políticos efinanceiros de ambos os lados do Atlântico. "Sem o engajamento dos Estados Unidos, é muito difícilseguir em frente", afirmou o chefe de política externa da UniãoEuropéia, Javier Solana, sobre os hesitantes esforços para apaz no Oriente Médio. Em um lampejo da frustração européia com o presidenteGeorge W. Bush, Solana afirmou esperar que o próximo presidenteesteja pronto para trabalhar rapidamente com a UE em assuntosque vão das tensões com o Irã e o conflito entre israelenses epalestinos até o diálogo com a Rússia e o combate aoaquecimento global. "Não queremos esperar muito tempo e desperdiçar um ano, umano e meio, dois anos depois de termos desperdiçado osprimeiros quatro anos desta administração", acrescentou. Um encontro da Otan no próximo mês e uma visita ao OrienteMédio em maio são vistos como as últimas chances de Bush dedeixar um legado, mas nenhuma dessas oportunidades deveproduzir mudanças profundas. QUAL É O PONTO? A Otan deve receber um novo e modesto grupo de membros dosBálcãs: Croácia, Albânia e Macedônia, provocando umaturbulência com a Grécia sobre a inclusão do país no grupo. Mas a Alemanha e outros aliados do Leste Europeu estãoresistindo à pressão norte-americana para colocar Ucrânia eGeórgia em uma posição de preparação para se unir ao grupo, emparte para evitar a ira do presidente-eleito da Rússia, DmitryMedvedev. "Qual é o ponto em insistir neste ano para dar (um plano deação para inclusão) à Ucrânia e à Geórgia?", questionou VolkerStanzel, representante do Ministério das Relações Exteriores daAlemanha. "Não seria melhor tentar descobrir como resolver porexemplo os conflitos com a nova administração da Rússia?",afirmou. A próxima grande mudança nas relações do Atlântico Norte --o retorno da França ao comando militar da Otan, que o paísdeixou em 1966 -- só deve acontecer no próximo ano e com umnovo presidente nos Estados Unidos. A violência no Oriente Médio, a construção de novosassentamentos israelenses e a fraqueza dos governos de Israel eda Palestina tornaram improvável a concretização do objetivo deBush de criar um estado palestino até o fim deste ano,informaram os representantes em sessões fechadas. Autoridades européias estão esperançosas de que os trêscandidatos remanescentes à Casa Branca, John McCain, HillaryClinton e Barack Obama, estejam comprometidos em procurar oentendimento internacional para diminuir as emissões de gasescausadores do efeito estufa, algo que a administração Bush seopôs obstinadamente. As negociações sobre o clima foram aindamais complexas do que as conversas sobre comércio. Na sua maioria, as conversas transatlânticas que duraramtrês dias foram construtivas e, por vezes, acaloradas. Asgrandes diferenças abertas nos primeiros anos da administraçãoBush, principalmente devido à guerra no Iraque e à "GuerraContra o Terror", diminuíram. Mas o ex-embaixador dos EUA nas Nações Unidas, RichardHolbrooke, mostrou um lampejo de ira quando perguntado se oOcidente como um todo, e os Estados Unidos em particular, erammarcas danificadas e cuja autoridade está em declínio. "Se você quiser falar sobre o declínio do Ocidente, vocêpode, mas isso é polêmica jornalística", disse.

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