Latinos sentem impacto de onda contra imigração nos EUA

A comunidade latina nos EstadosUnidos sentiu o impacto da forte retórica antiimigração dosúltimos meses, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira. Esse foi um dos grandes assuntos da campanha eleitoral parao Congresso em 2006, em que vários candidatos defendiam maisrestrições à imigração. É também um tema caro a váriospré-candidatos, especialmente republicanos, para a eleiçãopresidencial de 2008. Pouco mais da metade dos hispânicos que vivem nos EUA tememque as autoridades migratórias o deportem, ou que algum membrode sua família ou um amigo próximo sejam expulsos, segundopesquisa do Pew Hispanic Center. Tal sensação foi reforçada por uma série de medidasfederais contra a imigração clandestina, com mais blitze emlocais de trabalho, e pela aprovação de leis locais para revero status jurídico dos migrantes. "Quase dois terços (dos hispânicos) dizem que a vida estámais difícil sem uma reforma de imigração", diz o relatório queacompanha a pesquisa. Segundo estimativa do Pew, a população hispânica dos EUA jáalcançou 47 milhões de pessoas (15,5 por cento do total), sendoque 12 milhões são ilegais -- a maioria mexicanos. O Congresso norte-americano não conseguiu neste ano chegara um acordo sobre uma reforma que legalizaria a situação damaioria dos imigrantes clandestinos, ao mesmo tempo em quereforçava a vigilância na fronteira com o México. Quase metade dos entrevistados citou pelo menos um aspectonegativo da falta de uma reforma migratória, segundo apesquisa. Os efeitos negativos incluem a dificuldade para encontrartrabalho ou moradia, menos possibilidades de usar serviçospúblicos ou viajar ao exterior e mais chances de que sejamabordados por autoridades para apresentar documentos. Apesar dessas preocupações, os hispânicos em geral estãocontentes com sua vida cotidiana e se mostram otimistas de queseus filhos consigam um futuro melhor no país, com empregosmais qualificados e bem pagos, segundo o Pew Hispanic. Foram ouvidos 2.003 hispânicos entre 3 de outubro e 9 denovembro. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais paramais ou menos. (Reportagem de Adriana Garcia)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.