Líder democrata no Senado alerta que EUA estão indo para o 'abismo fiscal'

O principal democrata no Senado advertiu nesta quinta-feira que os Estados Unidos caminham para o "abismo fiscal" de aumentos de impostos e cortes de gastos que entrarão em vigor na próxima semana, caso os políticos não chegarem a um acordo.

DAVID LAWDER E ALISTAIR BELL, Reuters

27 de dezembro de 2012 | 18h24

O líder da maioria, Harry Reid, disse em discurso no Senado que "parece que é para lá que estamos indo".

Ele pediu aos republicanos que controlam a Câmara dos Deputados que evitem o pior do choque fiscal e que apoiem um projeto de lei no Senado para estender os cortes de impostos existentes para todos, exceto para quem ganha mais de 250 mil dólares por ano.

Com a Câmara dos Deputados em recesso e o relógio correndo em direção ao programado início dos aumentos de impostos e cortes profundos e automáticos dos gastos do governo, Reid ofereceu pouca esperança.

"Eu não sei em termos de tempo como isso pode acontecer", disse o senador democrata.

Referindo-se à Câmara dos Deputados presidida por John Boehner --o principal republicano no Congresso--, Reid disse: "Está sendo operada com uma ditadura do presidente, não permitindo que a grande maioria da Câmara obtenha o que deseja".

O esforço fracassado de Boehner na semana passada de passar sua própria solução para o "abismo fiscal" na Câmara foi um "desastre", acrescentou Reid.

Ele também acusou Boehner de atrasar uma ação contra o "abismo fiscal" até conseguir a reeleição como presidente da Câmara em 3 de janeiro.

"John Boehner parece se importar mais em manter seu cargo de presidente da Câmara do que em manter a nação em bases financeiras firmes", acrescentou Reid.

As declarações pessimistas de Reid derrubaram as bolsas mundiais, o euro e as ações norte-americanas.

Mas os comentários de Reid vêm sendo mais uma tentativa de instigar os adversários republicanos a agirem do que uma previsão definitiva de que as negociações sobre o "abismo fiscal" vão falhar.

O presidente Barack Obama voltou para a Casa Branca de suas breves férias no Havaí para tentar reiniciar as negociações paralisadas com o Congresso.

Obama telefonou do Havaí para líderes dos dois partidos na quarta-feira para tentar reavivar as negociações para evitar o cenário de "abismo fiscal", que preocuparia os mercados financeiros mundiais e poderia empurrar os Estados Unidos de volta à recessão.

Além disso, a confiança do consumidor norte-americano caiu para o nível mais baixo em quatro meses em dezembro, enquanto a crise orçamentária mina o que era um sentimento de otimismo com relação à economia, mostrou um relatório na quinta-feira.

"As pessoas estão ouvindo falar (no abismo) e isso impacta de maneira negativa a confiança e o sentimento dos investidores, e mesmo as vendas do feriado", disse Todd Schoenberger, sócio da Landcolt Capital em Nova York.

(Reportagem adicional de Doina Chiacu, Alina Selyukh e Richard Cowan)

Tudo o que sabemos sobre:
EUAABISMO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.