Maioria dos cubano-americanos é a favor de fexibilizar sanções contra Cuba

Uma pesquisa feita com cubanos-americanos em Miami mostra menor apoio a duras políticas da época da Guerra Fria adotadas pelos Estados Unidos contra Cuba, e a maioria está disposta a aceitar laços mais estreitos com a ilha comunista.

DAVID ADAMS, REUTERS

17 de junho de 2014 | 11h12

A pesquisa, divulgada nesta terça-feira pela Universidade Internacional da Flórida, descobriu que 52 por cento dos 1.000 cubanos-americanos entrevistados no condado de Miami-Dade se opõe à continuidade de cinco décadas de embargo comercial contra Cuba - esse porcentual cai para 49 por cento entre eleitores registrados nos EUA.

Uma maioria ainda maior, de 68 por cento, é a favor da retomada de relações diplomáticas com Cuba.

Um número semelhante (69 por cento) é favorável ao fim das restrições de viagem a Cuba para todos os norte-americanos, de acordo com a pesquisa, que tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais. A política atual permite visitas à ilha apenas com licenças controladas para viagens acadêmicas ou culturais.

O resultado da pesquisa evidencia uma mudança entre membros da comunidade cubana exilada, que fugiram da ilha para os Estados Unidos para escapar da ascensão do comunismo nos anos 1960.

A pesquisa foi financiada pelo Trimpa Group, uma consultoria de orientação democrática com sede em Denver e que promove mudanças sociais, e pela Open Society Foundations, que financia causas de políticas púbicas com recursos do investidor bilionário George Soros.

Guillermo Grenier, professor de sociologia que ajudou a conduzir a pesquisa, disse que os resultados podem levar a administração do presidente Barack Obama a revisar a política dos EUA sobre Cuba, permitindo mais viagens e atividade comercial para ajudar o emergente setor privado na ilha.

“Não há mais motivo para temer consequências políticas sobres a política para Cuba”, disse ele à Reuters em entrevista.

A comunidade cubano-americana nos Estados Unidos, que tem entre 1,8 milhão e 2,2 milhões de pessoas, tem tradicionalmente feito lobby político para evitar o fim do embargo.

Conduzida entre fevereiro e maio como parte de uma pesquisa periódica realizada desde 1991, a sondagem percebeu que jovens exilados que deixaram Cuba mais recentemente são mais favoráveis a mudanças políticas do que os imigrantes que vieram nos anos 1960.

“As tendências são claras”, disse Grenier, notando que exilados mais antigos estão morrendo, enquanto 20 mil novos cubanos chegam aos Estados Unidos todos os anos como parte de um acordo de imigração com Cuba.

Uma grande maioria, de 81 por cento, de eleitores registrados disse que apoiariam um candidato que advogasse pela substituição do embargo por uma política que aumentasse a pressão sobre Cuba a respeito de direitos humanos.

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