Mais perto da nomeação, Obama conquista maioria de delegados

Apesar da vantagem, senador precisa de votos de superdelegados para garantir candidatura à Casa Branca

Agências internacionais,

21 de maio de 2008 | 07h35

O senador Barack Obama deu um grande passo para se tornar o candidato à Presidência pelo Partido Democrata na noite de terça-feira, 20, quando conseguiu um total de delegados matematicamente inalcançável por sua rival, Hillary Clinton. Apesar da derrota no Estado de Kentucky, onde a ex-primeira-dama conseguiu 65% dos votos, o pré-candidato assegurou o apoio necessário pra chegar com vantagem ao Congresso que designará, em agosto, o nomeado para enfrentar o republicano John McCain em novembro.   Veja também: Pesquisa aponta Obama na frente de McCain "É cedo para Obama focar ataques a McCain"  Professor da USP analisa primárias democratas  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Enquanto a campanha de Hillary continua a afirmar que seguirá em frente na disputa, Obama se apóia nos resultados das prévias em Kentucky e Oregon para direcionar a sua campanha para uma nova fase, em que enfrentará diferentes desafios. Entre eles, está a conquista do apoio dos eleitores de Hillary, da classe trabalhadora branca e ao mesmo tempo se defender os ataques do virtual candidato republicano, John McCain, especialmente no debate sobre a segurança nacional.   Obama ganhou facilmente em Oregon, mas sua derrota foi assimétrica em Kentucky, onde apenas a metade dos democratas afirmaram que o apoiariam caso ele vencesse a nomeação. Segundo projeções do jornal americano The New York Times, com 86% dos votos apurados, o senador tem 58% dos votos, contra 42% de Hillary. Com esses resultados, Obama ampliou seu total de delegados eleitos para pelo menos 1.621 enquanto Hillary somava 1.477. Se incluídas as promessas de apoio dos superdelegados (não eleitos e livres para apoiar quem quiserem), Obama reunia 1.953 e Hillary, 1.925 dos 2.026 delegados e superdelegados necessários para garantir a indicação do partido na convenção de agosto, e Hillary soma 1.749. Como nenhum dos dois pode chegar aos 2.026, a decisão ficará com os superdelegados.   "Esta noite voltamos a Iowa com a maioria dos delegados eleitos pelo povo americano", celebrou Obama com partidários no Estado que lhe deu a primeira grande vitória em primárias. "Vocês nos puseram à beira da indicação democrata para presidente." Após elogiar a "formidável" Hillary, ele se concentrou na eleição de novembro. Obama criticou o governo de George W. Bush e o candidato republicano, John McCain, e se apresentou como o candidato da mudança.   Em discurso feito um pouco antes em Kentucky, Hillary, porém, insistiu que é a mais forte para enfrentar McCain e afirmou que não abandonará a disputa. "Estamos ganhando no voto popular e estou mais decidida que nunca a continuar até que todo mundo vote e todos os votos sejam contados", disse ela, referindo-se às prévias de janeiro em Michigan e Flórida - que a direção do partido invalidou por terem violado as normas.    Reuters De qualquer forma, segundo analistas, o triunfo no Kentucky dá à senadora uma posição mais confortável para pleitear uma vaga de vice na chapa do partido. Obama não tem bom desempenho entre o eleitorado branco, operário, de baixa escolaridade. Muitos aliados da ex-primeira-dama apóiam uma chapa Obama-Hillary. Partidários da senadora argumentam que os dois conseguiram mais de 30 milhões de votos e levantaram mais de US$ 400 milhões.   Para os aliados de Obama, porém, a chapa dos sonhos seria um pesadelo. Eles acham que o senador Sam Nunn ou o ex-candidato John Edwards seriam opções melhores. Edwards é menos polêmico que Hillary e não irritou o eleitorado negro como ela.   Apesar dos elogios à rival, Obama já adotou uma postura de candidato, fazendo críticas abertas ao senador John McCain, virtual candidato republicano e ao presidente George W. Bush. "A mudança está chegando aos Estados Unidos", disse o senador diversas vezes. Ele associou McCain à "política de Bush no Iraque", a "cortes de impostos para os ricos" e insinuou que ele pode ter "ligações com lobistas".   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e The New York Times)

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