Mais uma mulher acusa pré-candidato dos EUA de assédio sexual

Uma mulher acusou na segunda-feira o pré-candidato republicano a presidente dos EUA Herman Cain de tê-la bolinado em 1997, num fato que pode complicar ainda mais as ambições políticas dele.

MICHELLE NICHOLS, REUTERS

07 de novembro de 2011 | 19h52

Sharon Bialek disse que a investida ocorreu após um jantar em Washington, quando ela lhe pediu ajuda para encontrar um novo emprego, depois de ser demitida da Associação Nacional de Restaurantes, que ele dirigia.

Outras duas mulheres já fizeram acusações de assédio sexual contra Cain, mas Bialek, que disse ser filiada ao Partido Republicano, é a primeira a aparecer em público.

Cain, de 65 anos, rejeitou as acusações, qualificando-as como "completamente falsas".

Novato em disputas políticas, o empresário do setor alimentício aparece em várias pesquisas como favorito para receber a indicação republicana e disputar a eleição de 2012 contra o democrata Barack Obama.

Bialek, que apareceu diante de um mar de câmeras ao lado da conhecida advogada Gloria Allred, disse que o jantar com Cain foi marcado por seu namorado da época, que conheceu o empresário numa convenção em Chicago.

Depois do jantar, Cain a levou até a sede da Associação Nacional de Restaurantes e estacionou nos arredores. "Em vez de entrar na sede, ele de repente veio para cima de mim e colocou a mão na minha perna, sob a minha saia, e avançou para os meus genitais. Ele também agarrou a minha cabeça e a trouxe para a sua virilha. Fiquei muitíssimo surpresa e muitíssimo chocada", relatou ela.

"Eu disse: 'O que o sr. está fazendo? O sr. sabe que eu tenho namorado. Não foi para isso que eu vim aqui'. O sr. Cain disse: 'Você quer um emprego, certo?'. Pedi a ele que parasse, e ele parou. Pedi a ele para me levar ao hotel, o que ele fez imediatamente."

J.D. Gordon, porta-voz de Cain, disse que ele nunca cometeu assédio sexual.

"Justo quando o país finalmente começa a se focar novamente na nossa paralisante dívida pública de 15 trilhões de dólares e na taxa de desemprego inaceitavelmente alta, a ativista e advogada-celebridade Gloria Allred está trazendo mais falsas acusações contra o caráter do favorito republicano Herman Cain", afirmou.

Na quarta-feira, os pré-candidatos republicanos realizam mais um debate, em Michigan.

Num sinal de que as denúncias sexuais estão afetando a popularidade de Cain, uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no domingo mostrou que o percentual de republicanos que veem o candidato de forma favorável caiu de 66 para 57 por cento em uma semana.

Pelo menos um rival já saiu em defesa de Cain contra as acusações, acusando a imprensa de dar espaço demais para isso, em detrimento de questões mais importantes. "A mídia tirou isso de proporção", disse Ron Paul.

"Há mil assuntos por aí, e acho que isso dilui os verdadeiros debates, porque as visões (de Cain) sobre a política externa, por exemplo, são dramaticamente diferentes das minhas", afirmou o político no domingo à Fox News.

(Reportagem adicional de Steve Holland em Washington)

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