Marinha dos EUA salva iranianos das mãos de piratas

Um grupo de porta-aviões dos EUA que havia sido alertado pelo Irã a não voltar ao golfo Pérsico resgatou 13 iranianos que passaram semanas como reféns de piratas no mar da Arábia, disse o Pentágono na sexta-feira.

REUTERS

06 de janeiro de 2012 | 18h21

A operação aconteceu na quinta-feira, quando forças do grupo de ataque do porta-aviões USS John C. Stennis receberam um pedido de socorro do capitão do barco pesqueiro de bandeira iraniana Al Molai, que dizia estar em poder dos piratas.

As forças dos EUA também detectaram uma suposta lancha de piratas junto ao Al Molai. Os piratas aparentemente usavam a embarcação como "nave-mãe" para conduzir operações.

"O Al Molai passou aproximadamente os últimos 40 a 45 dias dominado por piratas", disse em nota Josh Schminky, agente do serviço de investigações criminais da Marinha que está a bordo do destróier USS Kidd. "Eles (os tripulantes) estavam como reféns, com rações limitadas, e acreditamos que foram forçados a contragosto a ajudarem os piratas em outras operações de pirataria", afirmou.

Um porta-voz do Pentágono disse que 15 piratas, todos eles supostamente somalis, estão agora detidos no Stennis.

Os EUA não mantêm relações diplomáticas com o Irã, e o Departamento de Estado disse que não houve comunicações oficiais com Teerã sobre o "gesto humanitário".

Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado, disse que os EUA estão agora avaliando como processar os piratas. "Estamos consultando nossos parceiros internacionais. Vocês sabem, infelizmente, que isso não é novidade. Temos mais de mil piratas que já apanhamos no mar e que estão sendo processados em cerca de 20 países. Então isso é sempre uma questão de aonde enviá-los e quem irá processá-los."

Agravando a tensão entre Teerã e Washington, a República Islâmica ameaçou nesta semana tomar providências caso o Stennis volte ao golfo Pérsico, de onde saiu em 27 de dezembro.

O general Ataollah Salehi, comandante do Exército, disse na terça-feira: "Recomendo e enfatizo ao porta-aviões norte-americano que não volte ao golfo Pérsico... Não temos o hábito de alertar mais do que uma vez".

O Irã anunciou na sexta-feira a intenção de realizar exercícios navais no mês que vem no estreito de Ormuz, a boca do golfo Pérsico, importantíssima rota marítima para o comércio mundial de petróleo.

Não ficou claro se a Marinha do Irã esteve a par da operação de resgate dos pescadores, mas os reféns, que estão voltando para suas casas, agradeceram aos militares dos EUA, segundo a Marinha norte-americana.

"O capitão do Al Molai expressou sua sincera gratidão por termos ido em seu socorro. Ele temia que, sem nossa ajuda, eles poderiam passar meses por lá", afirmou Schminky.

(Reportagem de Phil Stewart, David Alexander e Andrew Quinn)

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