McCain critica Bush por 'terrível reação' ao furacão Katrina

'Teria pousado meu avião na base aérea mais próxima e vindo pessoalmente', diz senador em visita a Nova Orleans

Reuters,

24 de abril de 2008 | 18h52

O candidato republicano à Presidência americana, John McCain, fez nesta quinta-feira, 24, duras críticas à "terrível e constrangedora" reação do governo Bush ao furacão Katrina, em 2005, prometendo que isso nunca vai se repetir. Mostrando distância em relação ao presidente George W. Bush, também republicano, McCain disse que não o criticaria por não ter ido imediatamente a Nova Orleans depois da tragédia. Veja também:McCain busca votos independentes no Alabama Mundo da luta convida presidenciáveis americanos ao ringueConfira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA   "Só estou dizendo que eu teria pousado meu avião na base aérea mais próxima e vindo pessoalmente", acrescentou ele a jornalistas depois da visita. Dois dias depois da passagem do furacão que devastou a cidade, Bush a sobrevoou, voltando de uma viagem à Costa Oeste. Só muitos dias depois, sob revolta popular, o presidente pôs os pés em Nova Orleans. Nesta quinta-feira, McCain visitou o bairro do Baixo Ninth Ward, um dos mais afetados pelo desastre. "Quero assegurar às pessoas do Ninth Ward, ao povo de Nova Orleans, ao povo deste país: nunca mais, nunca mais um desastre desta natureza será tratado da maneira terrível e constrangedora como foi tratado", destacou  McCain busca o eleitorado moderado, aproveitando-se da disputa entre Barack Obama e Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata. Em seus discursos, vem dizendo que merece ser eleito porque vai cortar gastos públicos, mas afirmou que está disposto a liberar bilhões de dólares para fortalecer o sistema de barragens de Nova Orleans, para que resistam a furacões da categoria 5, e reconstruir ilhas e manguezais que servem de proteção em relação às águas do golfo do México.  O Partido Democrata acusou o senador de ter votado contra verbas emergenciais para a área. "Quando John McCain está fazendo campanha em Nova Orleans, será que vai explicar aos eleitores por que votou contra as verbas de emergência para a área e contra dar às vítimas do Katrina acesso ao Medicaid (programa de saúde pública) e benefícios do desemprego?", questiona a cúpula do partido em e-mail a jornalistas.  Questionado sobre isso em seu ônibus, McCain disse que os votos foram contra pacotes legislativos que incluíam "gastos desnecessários e emendas casuísticas". Prometeu vetar esse tipo de emenda orçamentária caso seja eleito, para que o Congresso tenha de gastar o dinheiro em projetos mais importantes, como o de Nova Orleans.  Segundo McCain, os EUA devem se preparar para novos furacões da categoria 5, porque isso pode ficar mais freqüente devido ao aquecimento global.  Após percorrer o bairro Ninth Ward, um dos mais afetados pelo Katrina, McCain disse que a burocracia do governo ainda prejudica a recuperação da área. Com uma grande comitiva, que incluía sua esposa, Cindy, o governador da Louisiana, Bobby Jindal, e dois caminhões da Guarda Nacional cheios de jornalistas, McCain percorreu casas ainda desabitadas, algumas com pilhas de entulho na frente.  O casal McCain também viu trailers da Agência Federal de Emergências, que haviam servido como refúgios temporários, mas levam até um mês para serem retirados depois que as famílias voltam para suas casas. "Levou uma eternidade para chegar aqui, e aí levam uma eternidade para retirá-los", queixou-se o republicano Jindal. McCain balançou a cabeça várias vezes, incrédulo, exclamou: "minha nossa!"

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