McCain diz que Obama deveria consultar republicanos sobre pacote

O ex-candidato a presidente John McCain manifestou na sexta-feira frustração com o fato de o presidente dos EUA, Barack Obama, não ter negociado com os republicanos o seu pacote de estímulo econômico. O senador disse também que está preparando um pacote alternativo que incluiria "mais cortes efetivos de impostos" e projetos para a criação imediata de empregos. "Um grupo de senadores republicanos estamos trabalhando para apresentar um pacote alternativo que, espero eu, terá alguns elementos que os norte-americanos apoiariam", disse McCain à Reuters. "Primeiro, temos de ter uma alternativa, e segundo, ainda esperamos que o governo -- embora o tempo esteja se esgotando -- sente e faça alguma negociação séria, o que não tem feito", afirmou. Na quarta-feira, a maioria democrata na Câmara aprovou um pacote de estímulo de 819 bilhões de dólares, sem o voto dos republicanos. O Senado, também controlado pelos democratas, começa a debater na semana que vem um projeto que contém 342 bilhões de dólares em renúncias fiscais temporárias e mais de 545 bilhões de dólares em gastos públicos, totalizando 887 bilhões de dólares. McCain admitiu que foi útil Obama ter visitado o Congresso nesta semana para discutir o pacote com os republicanos, mas disse que é necessária "uma abertura muito rápida e dramática". "Devo lhe dizer que estou frustrado até agora pela falta de consulta ou de esforços do governo para trabalhar com os republicanos a respeito de um pacote de estímulo", disse McCain, derrotado por Obama na eleição de 4 de novembro. Uma coisa, segundo ele, é conversar com os republicanos, "mas outra inteiramente diferente é levá-los para a mesa, sentar e dizer: 'Ok, como podemos apresentar um resultado comum com o qual concordemos?'. Não fizeram isso." Apesar de os democratas terem condição de aprovar o pacote sozinhos, Obama gostaria que alguns senadores republicanos votassem a favor, para demonstrar unidade bipartidária quanto à necessidade de promover gastos públicos para reagir à recessão. Mas os republicanos se queixam de que alguns gastos parecem mais destinados a impor a agenda democrata do que a estimular a economia. Obama disse após sua conversa de quarta-feira com a oposição que não espera receber 10 por cento de apoio, nem mesmo 50 por cento. Afirmou ainda que recebeu várias sugestões dos republicanos e lhes explicou a sua própria abordagem.

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