McCain e Obama tentam redesenhar mapa político dos EUA

'Estados oscilantes' entre um e outro partido podem abalar votos tradicionalmente estratégicos

Reuters,

30 de maio de 2008 | 09h50

A possível disputa entre o republicano John McCain e o democrata Barack Obama nas eleições presidenciais de novembro pode chacoalhar o mapa político dos Estados Unidos, colocando novos Estados em foco e embaralhando as fichas em lugares tradicionalmente estratégicos, como Flórida e Ohio.   Veja também: Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Acompanhe a disputa entre os pré-candidatos    Tanto McCain quanto Obama apostam na sua capacidade de conquistar pelo menos alguns Estados recentemente dominados pelo partido rival. Em geral, os republicanos ganham no sul e no "interiorzão" dos EUA, enquanto os democratas se saem melhor nos Estados litorâneos e na parte norte do meio-oeste.   Nesse cenário, alguns poucos "swing states" ("Estados oscilantes" entre um e outro partido) decidem o resultado. Pelo sistema norte-americano, com raras exceções, o vencedor de um Estado leva todos os delegados para o colégio eleitoral que afinal escolhe o presidente do país. "Estamos observando um terreno de disputa muito maior e imprevisível do que nos últimos ciclos eleitorais", disse o consultor republicano Dan Schnur, que trabalhou na frustrada campanha de McCain à Presidência em 2000.   "O pessoal de Obama corretamente vê Estados historicamente republicanos onde eles acham que podem ser competitivos. Mas está bastante claro que Obama também perde terreno para McCain em alguns Estados que no passado eram seguros para os democratas", disse ele.   O senador Obama, já com a candidatura democrata praticamente assegurada na disputa contra Hillary Clinton, agora volta sua campanha para as eleições gerais. Nas últimas semanas, visitou Estados eleitoralmente importantes, como Michigan, Flórida, Missouri, Novo México e Colorado. McCain, que resolveu antecipadamente a disputa interna no seu partido, há dois meses se dedica só à eleição geral de novembro.   Estrategistas de ambos os lados vasculham pesquisas, listas de eleitores e relatórios demográficos para descobrir em quais Estados investir mais. O foco, naturalmente, deve ser em Estados grandes e que foram cruciais nas últimas eleições, como Michigan, Pensilvânia (ambos vencidos pelo democrata John Kerry em 2004), Flórida e Ohio (vencidos pelo republicano George W. Bush).   Mas os marqueteiros estarão de olho também em 11 Estados onde em 2004 houve uma diferença igual ou inferior a 6 pontos percentuais entre os candidatos. Naquela ocasião, Kerry venceu em cinco desses Estados (Michigan, Minnesota, New Hampshire, Oregon, Pensilvânia e Wisconsin). Bush levou cinco -- Colorado, Flórida, Iowa, Nevada e Novo México.   Sul e Oeste   Obama aposta numa onda de alistamento eleitoral e num comparecimento expressivo entre jovens e negros, sua principal base. Os democratas também têm boas perspectivas no oeste, onde conseguiram acompanhar o crescimento da população hispânica - embora esse eleitorado em geral tenha sido mais refratário a Obama.   No oeste, o principal alvo democrata serão os Estados de Novo México, Colorado e Nevada, onde Bush obteve vitórias apertadas. O problema é que, juntos, esses três Estados têm apenas 19 votos no colégio eleitoral, menos que Ohio, Flórida ou Pensilvânia individualmente. Para ser eleito presidente, um candidato precisa de 270 votos no colégio eleitoral. Obama também espera que um forte comparecimento de negros no Sul altere o cenário em Estados como a Virgínia, que nas últimas eleições já pendeu para os democratas.   McCain aposta na sua capacidade de seduzir eleitores independentes e nas dificuldades de Obama junto ao eleitorado proletário branco. Espera que isso seja suficiente para conquistar Estados estratégicos, como Ohio e Pensilvânia. Na Flórida, a combinação dos eleitorados hispânico e judaico também pode ser um mau prenúncio para Obama. McCain já fez vários eventos de campanha nesse Estado.

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