McChrystal apresentará renúncia durante reunião com Obama, diz jornal

Segundo 'New York Times', comandante no Afeganistão deixará cargo após críticas contra o governo

estadão.com.br

23 de junho de 2010 | 09h38

McChrystal pediu desculpas pelas declarações contra o governo.

 

WASHINGTON - O general americano Stanley McChrystal, comandante das tropas dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, apresentará sua renúncia nesta quarta-feira, 23, durante a reunião que terá com o presidente Barack Obama na Casa Branca para esclarecer as críticas que fez contra o governo e um artigo da revista Rolling Stone, informa o jornal The New York Times.

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Segundo o diário americano, McChrystal preparou uma carta de demissão, embora o presidente não tenha mostrado se vai ou não aceitá-la. "Creio que está claro que o artigo no qual ele e sua equipe aparecem mostra um julgamento ruim. Mas também quero ter certeza de conversar com ele antes de tomar a decisão final", disse Obama após uma reunião de gabinete na noite da terça.

 

No artigo, que seria publicado na edição do meio de julho da Rolling Stone americana, McChrystal e sua equipe disparam contra Obama e seu vice, Joe Biden, e contra uma série de outros funcionários do governo, como o embaixador dos EUA no Afeganistão, Karl Eikenberry, e o enviado especial do país para o Afeganistçao e o Paquistão, Richard Holbrooke.

 

A polêmica aumentou as dúvidas até entre os militares se a Guerra no Afeganistão, que já dura nove anos, pode ser vencida pelos EUA. McChrystal, no cargo desde junho de 2009, comanda mais de 140 mil soldados, já que também está à frente das tropas da Otan.

 

Diversas autoridades dos EUA criticaram o general na terça-feira e parlamentares chegaram a pedir sua saída do cargo. O secretário da Defesa, Robert Gates, um dos maiores defensores de McChrystal no comando das operações afegãs, disse que ele cometeu um "erro significante", enquanto o chefe de Estado Maior, o almirante Mike Mullen, se disse "profundamente desapontado" com o general.

 

David Obbey, chefe do Comitê de Apropriações do Congresso americano, órgão que supervisiona os gastos das guerras em que os EUA se envolvem, foi mais longe e pediu a saída de McChrystal do comando das operações no Afeganistão. "Se ele disse de verdade metade do que está sendo dito, não deveria estar na posição em que está", disse.

 

Três senadores também se voltaram contra McChrystal e o condenaram. Os republicanos John McCain e Lindsey Grajam e o independente Joe Lieberman disseram, por meio de comunicado, que "os comentários do general divulgados pela Rolling Stone são inapropriados e contraditórios com a relação tradicional entre um comandante em chefe e o Exército".

 

Após a divulgação do artigo na imprensa, Duncan Boothby, um dos principais assessores de McChrystal, apresentou a renúncia. O próprio general se adiantou e divulgou um comunicado pedindo desculpas pelo ocorrido, mas ainda assim foi convocado pela Casa Branca para esclarecer os depoimentos. O encontro deve ocorrer na manhã desta quarta-feira.

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