Medvedev perdoa espiões envolvidos em troca com os EUA, dizem agências

Quatro cidadãos russos serão trocados por dez detidos nos EUA acusados de espionagem

AP e Efe,

08 de julho de 2010 | 20h19

MOSCOU- O Kremlin afirmou nesta quinta-feira, 8, que o presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou um decreto que perdoa quatro condenados estrangeiros por espionagem para que possam ser trocados pelos dez detidos acusados de trabalharem como agentes para a Rússia nos Estados Unidos.

 

Veja também:

linkDetidos por espionagem nos EUA se declaram culpados e serão deportados

 

O comunicado do Kremlin divulgado por agências de notícias russas afirma que Medvedev perdoou os cidadãos russos Alexander Zaporozhsky, Gennady Vasilenko, Sergei Skripal e Igor Sutyagin.

 

O Ministério de Relações Exteriores russo também emitiu um comunicado que afirma que o Serviço de Inteligência russo e a CIA estão conduzindo uma troca de dez cidadãos russos que foram presos nos EUA pelos quatro cidadãos russos.

 

Um funcionário do governo americano afirmou sob condição de anonimato que os quatro detidos na Rússia foram obrigados por Moscou a assinarem um comunicado admitindo sua culpa, em uma condição para a troca. Segundo a autoridade, alguns deles estão em más condições de saúde.

 

Nesta quinta, o Departamento de Justiça dos EUA enviou uma carta à juíza de Nova York Kimba M. Wood, encarregada do caso das dez pessoas que foram detidas duas semanas atrás em solo americano, e que hoje se declararam culpadas de espionar para a Rússia.

 

Depois de receber a declaração de culpabilidade, o Departamento de Justiça ordenou a "deportação imediata" dos dez espiões. Segundo a Promotoria em Nova York, as autoridades querem que ela aconteça "em 72 horas".

A audiência serviu para conhecer os verdadeiros nomes dos acusados, alguns dos quais se faziam passar por cidadãos americanos, quando na verdade eram cidadãos russos que trabalhavam para Moscou.

 

Assim, os conhecidos como Richard Murphy e Cynthia Murphy disseram que seus verdadeiros nomes eram Vladimir Guryev e Lydia Guryev.

 

Michael Zottoli e Patricia Mills eram, na verdade, Mikhail Kutsik e Natalia Pereverzeva; enquanto os verdadeiros nomes de Donald Howard Heathfield e Tracey Lee Ann Foley são Andrey Bezrukov e Elena Vavilova.

 

Juan Lázaro, que se fazia passar por uruguaio, reconheceu hoje, como já tinha declarado há poucos dias, que seu verdadeiro nome era Mikhail Anatonoljevich Vasenkov, também um agente russo.

 

Apenas três pessoas usavam seus nomes verdadeiros. Trata-se da jornalista peruana Vicky Peláez, esposa de 'Juan Lázaro', assim como Anna Chapman e Mikhail Semenko, ambos também de cidadania russa.

 

"Este é um caso extraordinário, que se desenvolveu durante anos de trabalho dos investigadores, dos advogados das agências de inteligência e dos promotores", disse hoje o procurador-geral Eric Holder.

 

"O acordo que alcançamos hoje nos permite resolver o caso de uma maneira satisfatória para os EUA e seus interesses", acrescentou.

 

Na mesma linha se manifestou o porta-voz do Departamento de Estado americano Mark Toner, que disse hoje que os EUA "não teriam obtido nenhum benefício significativo em matéria de segurança nacional com a prisão em território americano destes dez agentes ilegais".

 

Segundo ele, "os EUA aproveitaram a oportunidade para assegurar a libertação dos quatro indivíduos que cumprem pena de prisão na Rússia, vários dos quais se encontram em um delicado estado de saúde".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.