Mentor do 11/9 diz que EUA mataram mais que atentados

O suposto mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA disse na quarta-feira em um tribunal militar de Guantánamo que o governo norte-americano já matou muito mais gente em nome da segurança nacional do que no crime pelo qual ele é acusado.

JANE SUTTON, Reuters

17 de outubro de 2012 | 20h59

Khalid Sheik Mohammed foi autorizado a falar ao tribunal durante uma audiência preliminar relativa às regras sobre o sigilo das provas a serem usadas no julgamento em que ele é réu por supostamente orquestrar os quatro sequestros aéreos que resultaram na morte de 2.976 pessoas.

"Quando o governo se sente triste pela morte ou assassinato de 3.000 pessoas que foram mortas no 11 de Setembro, também deveríamos lamentar que o governo norte-americano, que foi representado e por outros, tenha matado milhares de pessoas, milhões", disse Mohammed, que foi ao plenário usando um traje com camuflagens de aspecto militar.

Ele acusou os EUA de usarem uma definição ampla demais para a segurança nacional, comparável à forma como ditadores distorcem as leis para justificar seus atos.

"Muitos podem matar em nome da segurança nacional, e torturar pessoas em nome da segurança nacional, e deter crianças em nome da segurança nacional, crianças menores de idade", disse ele em árabe a um intérprete que o traduzia para o inglês.

"O presidente pode pegar alguém e jogar no mar em nome da segurança nacional, e aí ele também pode legislar assassinatos de cidadãos norte-americanos em nome da segurança nacional", disse ele, numa aparente referência à morte do militante Osama bin Laden, que teve seu cadáver lançado ao mar, e a bombardeios teleguiados contra cidadãos dos EUA acusados de conspirarem com a Al Qaeda.

Ele aconselhou o tribunal a não se deixar "afetar pelas lágrimas de crocodilo". "Seu sangue não é feito de ouro, e o nosso não é feito de água. Somos todos seres humanos."

O juiz, coronel James Pohl, autorizou Mohammed a falar e não o interrompeu, mas disse que não vai escutar outros comentários pessoais dos réus.

O discurso de Mohammed foi feito durante uma semana de audiências preliminares na Base Naval de Guantánamo, encravada em Cuba, onde ele e quatro outros réus serão julgados por recrutar, financiar e treinar os sequestradores que agiram no 11 de Setembro.

Mohammed não explicou por que usou um traje camuflado, mas a decisão sinaliza que ele pode evocar proteções reservadas a soldados. Seus advogados alegaram que ele tinha o direito de andar fardado porque se destacou nos campos de batalha do Afeganistão como parte das forças aliadas dos EUA no combate à invasão soviética da década de 1980.

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