Mercado imobiliário dos EUA ainda enfrenta dificuldades-Bernanke

O mercado imobiliário dos EUA ainda "está longe de estar a salvo", apesar da melhora nos últimos tempos, disse nesta quinta-feira o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, argumentando que as restrições ao crédito são parte do problema.

KAREN JACOBS, Reuters

15 de novembro de 2012 | 18h15

O Fed, que priorizou títulos hipotecários na sua mais recente rodada de aquisição de ativos, continuará fazendo o possível para amparar o mercado imobiliário norte-americano, disse Bernanke evitando citar medidas específicas.

Uma bolha no mercado imobiliário esteve no centro da crise financeira de 2007-09 e da brutal recessão que continua assolando a economia mundial. Dados dos últimos meses, no entanto, apontam uma recuperação do setor.

"Embora haja boas razões para se animar com a recente direção do mercado imobiliário, não deveríamos nos satisfazer com o progresso visto até agora", disse Bernanke numa conferência do setor financeiro.

O presidente do Fed observou que as regras mais rigorosas para a concessão de crédito são uma resposta adequada ao estouro da bolha imobiliária.

"Porém, parece que a esta altura o pêndulo oscilou demais para o outro lado e que os padrões excessivamente rígidos para concessão de empréstimos podem agora estar impedindo mutuários dignos de crédito de comprarem casas, desacelerando a retomada do mercado imobiliário e frustrando a recuperação econômica."

No começo do ano, o Fed sugeriu que outros definidores de políticas em Washington analisassem medidas para liberalizar o crédito. Críticos no Congresso, no entanto, afirmaram que o Fed deveria se ater ao seu papel de formular a política monetária.

Em todo o país, o preço dos imóveis tem aumentado neste ano, e também há sinais positivos nos investimentos residenciais, vendas, demanda e grau de otimismo dos construtores.

A construção civil geralmente puxa a economia dos EUA para fora das recessões, mas desta vez os enormes prejuízos dos investidores após o estouro da bolha atrapalharam esse processo.

Segundo Bernanke, os problemas no setor afetam desproporcionalmente os norte-americanos de baixa renda e pertencentes a minorias.

"Pela primeira vez em vários anos, o setor imobiliário está melhorando, contribuindo para o crescimento e os empregos. Mas a retomada imobiliária ainda enfrenta obstáculos significativos, e os benefícios dessa retomada permanecem bastante desiguais."

Em setembro, o Fed divulgou um plano para comprar 40 bilhões de dólares por mês em títulos amparados por hipotecas, em parte para destravar um mercado imobiliário dos EUA.

O Banco Central dos EUA usa essas intervenções no mercado porque a taxa referencial de juros, mais tradicional ferramenta de política monetária, já está próxima de zero desde o final de 2008, por causa da recessão.

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