Mesmo inocentado, motorista de Bin Laden pode seguir preso

EUA podem considerar Salim Hamdan ameaça à segurança e mantê-lo detido em Guantánamo indefinidamente

Associated Press,

02 de agosto de 2008 | 18h31

O comandante da prisão de Guantánamo disse neste sábado, 2, que está procurando novas acomodações para o ex-motorista de Osama bin Laden, que pode ficar preso indefinidamente na base, independe do veredito de seu julgamento no tribunal militar. Os juízes devem divulgar as primeiras deliberações do caso de Salim Hamdan, iemenita que pode ser condenado à prisão perpétua sob acusações de conspiração e apoio ao terrorismo, na segunda-feira.   Veja também: Taleban nega morte de número dois da Al-Qaeda 'Vocês não entendem a Al-Qaeda', diz conspirador do 11/9 Motorista sabia que Capitólio era 4.º alvo do 11/9   Mesmo se for declarado inocente, ele pode não deixar a base militar americana, uma vez que a justiça dos EUA pode considerá-lo uma ameaça à segurança nacional. O comandante David Thomas afirmou que busca instalações apropriadas para isolar o prisioneiro. "Não poderíamos manter alguém que terminou um processo militar com os detentos em geral", explicou.   "Hamdan ficará preso até quando o governo quiser soltá-lo", explicou o vice-chefe do Conselho de Defesa do tribunal, Michael Berrigan. "Isso não tem ligação com fundamentos reais", defendeu.   Hamdan é o primeiro prisioneiro que enfrenta um julgamento de crimes de guerra nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra mundial. Ele chegou em Guantánamo em maio de 2002, e atualmente é mantido preso por pelo menos 22 horas diárias em uma cela individual - condições que afetaram sua saúde mental, de acordo com os advogados de defesa.   Os promotores militares acusam o iemenita de ser um leal apoiador de Bin Laden, que teria transportado armas para a Al-Qaeda e ajudado o líder do grupo a fugir dos EUA no Afeganistão após os atentados de 11 de setembro. O principal conspirador dos ataques, Khalid Sheikh Mohammed, declarou em comunicado que Hamdan era "muito primitivo" para ser envolvido nos planos terroristas da Al-Qaeda.   "Ele não era um soldado, era um motorista", afirmou Mohammed na sexta-feira. Os militares disseram que têm planos de julgar cerca de 80% dos aproximadamente 265 presos de Guantánamo, em um sistema especialmente desenvolvido pelo governo do presidente George W. Bush para acusados de terrorismo.  

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