Militares do Paquistão se reúnem em meio a tensões com EUA

O poderoso general-chefe do Exército paquistanês, Ashfaq Kayani, encontrou-se neste domingo com seus principais comandantes em uma reunião "especial" para discutir a situação da segurança, enquanto a "guerra de palavras" com os Estados Unidos aumenta.

ZEESHAN HAIDER, REUTERS

25 Setembro 2011 | 11h54

O encontro extraordinário com os comandantes ocorreu em meio a acusações norte-americanas de que a poderosa agência de espionagem do Paquistão apoiou o grupo militante Haqqani, que Washington culpa pelo recente ataque a sua embaixada e outros alvos em Cabul.

"A atual situação de segurança foi discutida", afirmou o porta-voz militar major-general Athar Abbas. Kayani chefiou o encontro.

Separadamente, o chefe do Comando Central dos Estados Unidos, general James N. Mattis, encontrou-se com Khalid Shameem Wyne, presidente do Comitê Conjunto de Comandantes do Paquistão, que expressou preocupação sobre os "comentários negativos que vêm dos EUA."

"Ele (Wyne) enfatizou ao abordar os problemas no relacionamento, que são resultados de uma situação extremamente complexa", afirmou o setor militar dos EUA em comunicado. "Ele reiterou que as forças armadas do Paquistão estão comprometidas em alcançar uma paz duradoura na região, que só vai ser possível com cooperação e confiança mútua."

Nos comentários mais ásperos de uma autoridade dos EUA desde que o Paquistão se juntou à guerra dos EUA contra a militância islâmica, em 2001, o almirante Mike Mullente, presidente da cooperação conjunta entre os países, testemunhou na quinta-feira perante o Senado e disse que a rede militante Haqqani é um "braço real" do ISI (diretório de Inteligência do Exército do Paquistão).

Ele também responsabilizou Islamabad pela primeira vez pelo ataque em Cabul, dizendo que o Paquistão forneceu suporte para a operação.

O governo e o Exército paquistaneses negaram as acusações e o primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, falou com líderes políticos por telefone neste domingo e decidiu pedir um encontro para discutir o assunto das tensões com os EUA.

No sábado à noite, Gilani rejeitou as acusações norte-americanas, dizendo que são um sinal de "confusão e desordem política" dos EUA.

A ministra das Relações Exteriores de Gilani, Hina Rabbani Khar, disse a Washington na sexta-feira que os EUA poderiam perder um aliado se continuassem acusando Islamabad de fazer um jogo duplo na guerra contra a militância, além de aumentar a crise nos laços entre os países, lançada quando forças norte-americanas mataram o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, no Paquistão, em um ataque não anunciado em maio.

Abbas reconheceu que o ISI manteve contatos com a rede Haqqani, mas disse que isso não significava apoio. "Nenhuma agência de inteligência pode fechar a última porta de contato", afirmou. "Manter contato não significa que você está endossando ou apoiando uma organização terrorista."

A rede Haqqani é a mais violenta e efetiva facção entre os militantes do Taliban no Afeganistão. Embora os paquistaneses tenham oficialmente abandonado o apoio ao Taliban após os ataques de 11 de Setembro de 2001 e se aliado à Washington na "guerra ao terror", especialistas dizem que membros do ISI recusaram essa mudança doutrinária.

(Reportagem adicional de Chris Allbritton e Qasim Nauman)

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