Militares dos EUA aceitam fim de veto a gays assumidos

O Pentágono divulgou na terça-feira um estudo que minimiza o impacto do fim do veto a homossexuais assumidos nas Forças Armadas, mas a mudança ainda pode demorar, por causa da resistência de alguns generais, preocupados com as consequências para as tropas que lutam no exterior.

PHIL STEWART E ROSS COLVIN, REUTERS

30 de novembro de 2010 | 20h31

O presidente Barack Obama já se comprometeu a acabar com a atual política, em vigor há 17 anos, que é conhecida como "não pergunte e não conte", pois só permite que os homossexuais sirvam nas Forças Armadas se não alardearem sua condição.

O Pentágono já havia se manifestado favoravelmente à alteração, mas pediu tempo para se adaptar. Estima-se que 13 mil militares tenham sido expulsos das Forças Armadas por causa da política "não pergunte e não conte".

O general Carter Ham e o conselheiro-geral do Departamento de Defesa, Jeh Johnson, autores do estudo, disseram que os militares têm condições de absorver a mudança, "mesmo durante esta época de guerra".

Mas o secretário de Defesa, Robert Gates, alertou que o estudo desperta preocupações de uma rejeição às novas normas entre as unidades de combate.

"Uma abundância de cuidado e de preparativos é necessária se quisermos evitar um impacto perturbador - e potencialmente perigoso - sobre o desempenho dos que estão servindo na 'ponta de lança' das guerras da América", afirmou ele a jornalistas.

Mesmo assim, ele pediu ao Congresso que revogue a atual lei ainda neste ano, pois assim os militares terão mais tempo de se preparar - mas ele evitou citar prazos para tais preparativos.

O estudo recomenda que, se a atual regra for revogada, haja um agressivo programa de educação e treinamento para os soldados e oficiais. O relatório se opõe à adoção de alojamentos e banheiros separados para homossexuais, uma hipótese que havia sido aventada no passado por alguns militares.

O relatório lembra também que houve uma resistência muito maior à integração racial nas Forças Armadas, nas décadas de 1940 e 50.

"Mas, em 1953, 95 por cento de todos os soldados afro-americanos já estavam servindo em unidades racialmente integradas, enquanto os ônibus públicos em Montgomery, Alabama, e outras cidades ainda estavam racialmente segregados", afirma o relatório.

Uma pesquisa incluída no estudo, com um pouco mais de 115 mil militares, mostrou que uma sólida maioria não acredita que a revogação da atual regra irá afetar sua capacidade de cumprir seu trabalho, e 69 por cento acreditam que já trabalharam com pelo menos um homossexual.

(Reportagem adicional de Tabassum Zakaria)

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