Militares dos EUA aconselham Bush a retirar tropas do Iraque

Em reunião à portas fechadas, comandantes mais graduados avaliaram problemas e pressão para volta das tropas

Agências internacionais,

31 de agosto de 2007 | 19h37

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, teve nesta sexta-feira, 31, uma tensa reunião de uma hora e meia com os militares mais graduados dos EUA, em uma sala de segurança máxima do Pentágono conhecida como "O tanque". Na sala, Bush e o vice-presidente Dick Cheney ouviram relatos preocupantes de comandantes do Exército, da Marinha, da Força Aérea e dos fuzileiros navais sobre a situação militar no Iraque e sobre a forte e crescente pressão das famílias dos soldados pela volta das tropas. Veja também: Bush: EUA precisam de parceiros no Iraque Relatório dos EUA aponta fracasso no Iraque Congresso diz que Iraque descumpre metas Bush tenta justificar tropas no Iraque, diz Irã   Bush e Cheney também tomaram conhecimento de um relatório independente que recomenda a simples extinção da atual polícia iraquiana, corroída pela corrupção e o sectarismo. O relatório sobre a polícia deverá ser divulgado na próxima semana.   Bush não falou pessoalmente após a reunião, mas escreveu um comunicado dizendo que ele está comprometido em dar aos militares "todo o necessário para cumprir os desafios deste novo século". Ele também pediu aos políticos de Washington que esperem para julgar quais serão os próximos passos a serem dados no Iraque apenas após a divulgação de um relatório, que está sendo feito pelo comando militar americano e um diplomata graduado. Isso deverá ocorrer em duas semanas.   Além dos chefes das divisões das Forças Armadas, participaram da reunião o Chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Peter Pace e do secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates.   "As metas no Iraque são muito complexas e as conseqüências muito graves para nossa segurança, para permitir que políticos prejudiquem a missão dos nossos homens e nossas mulheres com o uniforme," escreveu Bush. "É minha esperança que possamos colocar de lado a política e nos esforçarmos para, juntos, assegurar nossos interesses vitais no Iraque e no mundo inteiro," completou.   Em mais um sinal da crescente frustração americana com o governo do Iraque, um importante comandante dos EUA disse à Associated Press que ele está irritado com a lentidão do governo central iraquiano em garantir que suas forças recebam uma liderança adequada, capaz de suprir, equipar e conduzir os soldados regulares no campo de batalha.   "Eu não vi nenhuma melhora neste ano, desde que estou aqui," disse o major general Benjamin Mixon, comandante das forças americanas no norte do Iraque. Ele disse que as forças regulares iraquianas lutam bem contra os insurgentes quando são apoiadas pelos americanos, mas que não têm nenhum apoio do próprio governo iraquiano.   Divulgação em breve   O encontro não foi aberto à imprensa. No entanto, uma declaração escrita de Bush vazou. No texto, o presidente afirmou que os americanos saberão muito em breve quais são as avaliações feitas pelo embaixador americano no Iraque, Ryan Crocker, e pelo comandante das tropas dos EUA no país árabe, general David Petraeus.   Bush antecipou que o relatório que ambos apresentarão ao Congresso mostrará "o que vai bem, o que pode melhorar e os ajustes que devem ser feitos nos próximos meses". Ele pediu aos congressistas para guardar opiniões até escutá-los.   "O que está em jogo no Iraque é muito e as conseqüências são muito graves para permitir que os políticos prejudiquem a missão de nossas tropas", declarou o presidente.   Petraeus irá a Capitol Hill na semana iniciada em 10 de setembro, ainda sem uma data exata definida. Em seguida, no dia 15, Bush apresentará suas conclusões sobre o caminho que os legisladores devem seguir.   O presidente já demonstrou que a retirada das tropas não está entre suas opções. O líder afirmou, em seus últimos discursos públicos, que essa atitude teria conseqüências devastadoras não só para os iraquianos mas também para toda a região e inclusive para a segurança americana.   Oposição militar   Alguns dos comandantes militares não possuem o mesmo pensamento. Embora não tenha vazado o que eles disseram ao presidente, o general Richard Sherlock, responsável pelas operações do Estado-Maior Conjunto, antecipou nesta sexta que Bush não esperava ter um consenso na reunião do Pentágono.   Segundo Sherlock, os generais não precisam necessariamente entrar em consenso sobre suas opiniões e recomendações. Ele não entrou em detalhes sobre as diferenças que existem entre eles em torno da conveniência ou não de manter o atual número de tropas em território iraquiano.   Alguns afirmaram claramente ter medo de que uma forte mobilização como a atual - de mais de 160 mil efetivos - possa minar a capacidade das Forças Armadas de enfrentar eventuais novas ameaças.   Segundo as publicações da imprensa nos últimos dias, há outros que apostam em começar a preparar a retirada, somando-se assim a oposição de democratas e alguns republicanos que declararam abertamente que o plano de Bush no Iraque não funciona.   Expectativas inatingidas   Dois relatórios independentes sobre a situação no Iraque tiveram partes divulgadas nesta semana - o mais recente afirma com veemência que a polícia iraquiana é tão corrupta e tão sectária que precisa ser dissolvida e substituída por uma força policial menor.   Um comissão independente montada pelo Congresso dos EUA recomendará que a atual força policial, de 25,000 homens, seja dissolvida e substituída por uma força policial menor e de elite, disse hoje um funcionário da Defesa dos EUA. Segundo ele, o relatório é um pouco mais otimista em relação ao Exército do Iraque.   O relatório, cuja comissão foi chefiada pelo general aposentado James Jones, será apresentado ao Congresso dos EUA na próxima semana.   O balanço recolhido neste documento não é muito distante da minuta do relatório do Escritório de Supervisão do governo dos Estados Unidos (GAO, na sigla em inglês), que afirma que o Iraque atingiu apenas três dos 18 objetivos fixados pelos congressistas americanos.   Além disso, se for acrescentada a avaliação divulgada na semana passada pelas agências de inteligência americanas, que prevê que o atual governo do Iraque será anda "mais precário" em um prazo de seis a 12 meses.

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