Militares dos EUA denunciam estupros e retaliações

Oito militares norte-americanas -sete da reserva e uma da ativa- abriram na terça-feira um processo judicial em que afirmam ter sido estupradas, agredidas e sexualmente assediadas nos quartéis, além de sofrerem retaliações ao se queixarem.

IAN SIM, REUTERS

06 de março de 2012 | 19h31

O processo, na Corte Distrital de Washington, é a mais nova denúncia apontando para violências sexuais disseminadas na mais poderosa força militar do planeta. Há menos de dois meses, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, anunciou medidas para coibir milhares de casos de violência sexual ocorridos a cada ano.

As denunciantes acusam os comandantes militares de terem uma "elevada tolerância com predadores sexuais em suas fileiras", e de não tomarem providências contra o problema apesar de repetidas declarações nesse sentido.

A única envolvida na ativa pertence ao Corpo de Marines. As sete veteranas foram da Marinha e dos marines.

Sete delas acusam colegas de cometerem estupro ou tentativa de estupro, e a oitava diz ter sido assediada durante missão no Iraque.

Entre os réus apontados estão Panetta e atuais e ex-secretários de Defesa e Marinha e comandantes do Corpo de Marines.

Cynthia Smith, porta-voz do Pentágono, disse em nota que seria inadequado comentar um processo em aberto, mas que o Departamento de Defesa não tolera violências sexuais.

Ela acrescentou que, conforme regras implantadas em dezembro, o militar que denunciar agressão sexual deve ser rapidamente transferido de unidade. Smith salientou ainda que o Pentágono aumentou as verbas para a capacitação de investigadores e juízes em questões de abusos sexuais, e para a montagem de um banco de dados de denúncias.

Uma das autoras da ação, Ariana Klay, disse ter sido estuprada por um oficial graduado e um amigo civil dele em agosto de 2010, na residência dela, perto do quartel dos marines em Washington.

O assédio e as retaliações dos superiores após a denúncia a levaram a tentar o suicídio, segundo a ação. O suposto estuprador militar foi condenado em corte marcial por adultério e linguagem indecente, mas não por estupro.

Formada pela Academia Naval dos EUA, Klay já havia se queixado anteriormente de sofrer assédio sexual, e por causa disso pediu transferência para o Afeganistão -o que foi negado, segundo o processo.

"As ações cúmplices dos meus superiores foram mais traumáticas do que o fato em si", disse Klay, diagnosticada com transtorno do estresse pós-traumático.

Em janeiro, ao anunciar medidas contra a violência sexual, Panetta disse que 3.191 ataques desse tipo foram relatados nas Forças Armadas em 2011. Como muitos casos não são relatados, ele estimou que o número real se aproxime de 19 mil.

(Reportagem de Ian Simpson)

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