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Missão da OEA só irá a Honduras a partir do fim do mês

Segundo o secretário-geral José Miguel Insulza, visita deve acontecer entre 17 e 21 de agosto

Efe e AP,

11 de agosto de 2009 | 18h27

A missão de chanceleres que nesta terça-feira, 11, iniciaria uma visita a Honduras para tentar solucionar a crise política que o país enfrenta só viajará a partir do fim de agosto, se o Governo de fato de Roberto Micheletti concordar, disse o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza. Em entrevista coletiva após uma reunião do Conselho Permanente da OEA, Insulza disse que gostaria de visitar Honduras "imediatamente após" a visita da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que acontecerá entre 17 e 21 de agosto.

 

"Achamos que é necessário continuar trabalhando pelo Acordo de San José (Costa Rica), que é a saída mais razoável para a crise hondurenha. Para isso, nos dispusemos a ir a Honduras. Hoje deveríamos estar em Honduras. Continuamos dispostos a fazê-lo e comunicaremos isso ao Governo de fato", explicou o diplomata. Inicialmente, a missão de alto nível da OEA, composta pelos chanceleres de Canadá, Argentina, México, Costa Rica, Jamaica e a República Dominicana, pretendia chegar nesta terça-feira, 11, a Honduras. Mas, no domingo, o Governo de Micheletti adiou a visita diante da presença de Insulza na delegação.

 

Micheletti acusa o secretário-geral da OEA de não ser neutro em relação ao golpe de Estado de 28 de junho, que tirou Zelaya do poder. No entanto, no mesmo domingo, o presidente de fato disse que as diferenças existentes já tinham sido superadas e que Insulza poderia participar da missão como "observador".

 

A esse respeito, Insulza destacou que "a OEA está disposta a participar de uma série de reuniões em Tegucigalpa para discutir o Acordo de San José". Mas, destacou, "naturalmente é a OEA que monta sua delegação". O diplomata afirmou que consultará os chanceleres da missão "para marcar várias datas e propô-las como alternativa" ao Governo de fato de Honduras.

 

Manifestações

 

Partidários do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmaram na segunda-feira, 10, que as autoridades adiaram intencionalmente a chegada da missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) para evitar que presenciasse grandes manifestações populares como a dessa terça-feira, 11. Juan Barahona, líder da Frente Nacional de Resistência ao Golpe de Estado, afirmou que "os golpistas, para evitar que as marchas de resistência coincidissem com a presença da OEA, adiaram a visita da OEA."

 

Milhares de seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, começaram a chegar a Tegucigalpa para exigir sua restituição no poder e a saída de Roberto Micheletti da Presidência do país.

Procedentes de várias partes de Honduras, os manifestantes chegaram aos poucos a Tegucigalpa e estão concentrados a cerca de 200 metros da sede do Executivo hondurenho.

 

O dirigente popular Juan Barahona disse à Agência Efe que permanecerão durante "toda a semana" nesse mesmo lugar, mas terão outras atividades em diferentes pontos da cidade "até que Manuel Zelaya venha e os golpistas saiam do poder".

 

Também participam dos protestos a esposa do líder deposto, Xiomara Castro, acompanhada de sua filha Hortensia, e o sacerdote Andrés Tamayo, conhecido defensor do meio ambiente de origem salvadorenha.

A esposa de Zelaya disse aos jornalistas que os golpistas "não querem que se resolva a crise que eles provocaram" e anunciou que também acompanhará outro protesto similar realizado hoje em San Pedro Sula, a segunda cidade mais importante de Honduras.

 

Barahona afirmou que 20 mil pessoas são esperadas para os protestos em Tegucigalpa e acrescentou que a delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA) que visitará a cidade, possivelmente no final de agosto, para conversar com o Governo de fato em Honduras também se reunirá com dirigentes do movimento de resistência popular que exige a restituição de Zelaya no poder.

 

Por volta das 12h locais (15h de Brasília), havia cerca de quatro mil pessoas nos arredores da residência oficial hondurenha. O grupo cantava palavras de ordem a favor de Zelaya e contra Micheletti, como "Fora golpistas", "Micheletti assassino" e "Aqui ninguém se rende". Além disso, os manifestantes carregavam bandeiras hondurenhas (azuis e brancas) e outras vermelhas e pretas, cores com as quais se identifica a esquerda hondurenha e o movimento de apoio a Zelaya.

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