Motorista de Bin Laden sabia que Capitólio era 4.º alvo do 11/09

Promotoria diz que Hamdan teria ouvido conversas entre o líder da Al-Qaeda e o número 2 do grupo terrorista

Reuters,

23 de julho de 2008 | 09h17

O ex-motorista de Osama bin Laden, Salim Ahmed Hamdan, sabia sobre que o Capitólio seria o quarto alvo a ser atingido por um avião nos ataques de 11 de setembro de 2001, segundo afirmou o promotor Timothy Stone na terça-feira, 22, em sua tentativa de ligar o iemenita com a liderança da Al-Qaeda no primeiro julgamento de guerra realizado em Guantánamo.   Os advogados de Hamdan, preso há sete anos na base, dizem que ele era apenas um empregado do foragido líder da Al-Qaeda, mas nunca foi militante nem participou do planejamento de qualquer atentado. Já o promotor Stone disse aos seis jurados - todos oficiais militares - que o réu sabia dos atentados de 2001 por ter ouvido conversas de Bin Laden com seu adjunto, Ayman Al Zawahiri.   "Se eles não tivessem derrubado o quarto avião, ele teria atingido a cúpula", Stone, um oficial da Marinha, afirmou. Até hoje não se sabe para onde os seqüestradores pretendiam desviar o vôo 93 da United Airlines, que acabou derrubado pelos próprios passageiros num campo da Pensilvânia - ou então abatido pelas autoridades, segundo persistentes rumores.   Hamdan, que se declarou inocente de conspiração e de apoiar o terrorismo no julgamento, diz que foi espancado e confinado em uma solitária. Se condenado, ele pode receber uma sentença de prisão perpétua.   Stone disse ao júri que Hamdan ganhou a confiança de Bin Laden durante um período de experiência, entre 1996 e 98, e que o ajudou a fugir depois dos atentados de 1998 contra embaixadas dos EUA na África e depois do 11 de Setembro. "Ele atuava como guarda-costas e motorista, transportava e entregava armas, munições e mantimentos para a Al-Qaeda", acusou o promotor.   O advogado dele, Harry Schneider, disse que o réu perdeu os pais cedo e vagava pelas ruas, onde aprendeu a consertar carros. "Não haverá provas de que o sr. Hamdan compartilhasse, acreditasse ou abraçasse o que quer que ouvisse, crenças radicais islâmicas, crenças extremistas muçulmanas", disse o advogado. Ele disse ainda que a defesa convocaria para depor um dirigente da Al-Qaeda que declararia que seu cliente "não estava capacitado para planejar ou executar, estava capacitado para trocar pneus e filtros de óleo e para limpar carros".   A promotoria não pretende ouvir líderes da Al-Qaeda neste processo, enquanto a defesa quer levar dois presos acusados de participar diretamente do planejamento do 11 de Setembro.

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