Motorista de Bin Laden tentará evitar prisão perpétua

Sentença do iemenita condenado por apoio material ao terrorismo deve ser anunciada nesta quinta-feira

Agências internacionais,

07 de agosto de 2008 | 09h04

O iemenita Salim Hamdan, ex-motorista do terrorista Osama bin Laden, deve pedir ao júri militar do tribunal de Guantánamo que o poupe da prisão perpétua pela condenação por apoio material a atos de terrorismo. A sentença do primeiro veredicto de um detento da prisão na ilha cubana desde que ela foi criada, em 2002, deve ser anunciada nesta quinta-feira, 7.   Veja também: Em Guantánamo, 275 aguardam acusações    Hamdan foi julgado por uma comissão militar de poderes especiais. Ao ouvir o veredicto, Hamdan levantou as mãos e chorou. Os advogados de defesa devem recorrer da decisão e argumentar que ser motorista de Bin Laden não é um crime de guerra. O objetivo é levar o caso até a Suprema Corte.   O promotor-chefe do tribunal, coronel Lawrence Morris, disse que o fracasso em condenar Hamdan da acusação mais grave - a de conspirar com a Al-Qaeda para cometer atos de terrorismo - será um fator considerado na sentença que a Justiça recomendará nesta quinta. Ele pode pegar até prisão perpétua.   O julgamento abre caminho para que as comissões militares julguem até 80 presos de Guantánamo. Acusações já foram apresentadas contra outros 19 detentos. Críticos afirmam que Hamdan não tinha um papel importante na organização e foi usado como cobaia para testar o funcionamento das comissões militares. Os promotores afirmaram que Hamdan fazia parte da cúpula da Al-Qaeda, mas os advogados de defesa argumentaram que ele era um homem com pouco estudo, que era apenas o motorista de Bin Laden. Hamdan tem 37 anos, dois filhos e é semi-analfabeto.   O julgamento de Hamdan foi cercado de sigilo. Algumas testemunhas depuseram secretamente e não há gravação das audiências. Charles Swift, advogado que defende Hamdan, disse que o julgamento não segue as leis dos EUA. Recentemente, ele chamou a comissão militar de "um tribunal de mentirinha feito para julgar todo o mundo de quem não gostamos".   A defesa de Hamdan afirmou que seus direitos foram negados em um processo injusto e apressado depois que a Suprema Corte determinou que os tribunais militares violavam leis americanas e internacionais. "A história e a opinião mundial julgará se o governo provou que o sistema é justo", disseram os advogados em comunicado.   (Com Patricia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)

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