Muçulmanos nos EUA se unem contra xenofobia

Ideia é mostrar que ataque a Fort Hood, promovido por um militar de religião islâmica, foi caso isolado

Gustavo Chacra, O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2009 | 08h58

Em uma luta contra a islamofobia nos EUA, os muçulmanos americanos foram rápidos para distanciar-se do major Nidal Malik Hasan, que matou 13 pessoas a tiros na semana passada na base militar de Fort Hood, Texas. Organizações islâmicas e árabes condenaram os ataques e classificaram o episódio como um caso isolado.

As iniciativas das entidades islâmicas e árabes buscam mostrar que a comunidade muçulmana dos EUA é tão patriótica quanto as demais, com militares servindo ao país desde a 1ª Guerra, segundo a Associação Patriota dos Árabes Americanos no Exército, sem falar em ídolos nacionais, como o boxeador Mohamed Ali, que se tornou muçulmano, e o jogador de basquete Karim Abdul-Jabbar. O ex-comandante das forças americanas no Iraque, John Abizaid, é árabe de origem cristã.

Com o objetivo de conquistar apoio na imprensa e nos meios políticos, as organizações tentam ainda se contrapor aos críticos conservadores que sempre as acusam de se calar diante de atrocidades cometidas em nome do Islã. Horas depois dos ataques, as principais entidades postaram comunicados lamentando o ataque em seus sites. Algumas chegaram a lançar campanha de doação de sangue para os feridos.

As organizações também adotam uma posição dura com relação às críticas sem embasamento ao Islã, classificando-as de islamofóbicas. Essas entidades também buscam diferenciar a causa palestina e a ocupação do Iraque do radicalismo da Al-Qaeda.

O objetivo de defender o Islã e os árabes em geral (que podem ser cristãos) foi alcançado, com o presidente Barack Obama evitando relacionar os termos "muçulmano" e "islâmico" aos ataques no Texas em seu discurso de terça-feira em homenagem às vítimas de Fort Hood, o que provocou revolta entre os conservadores.

Na imprensa, até mesmo o mais conservador Wall Street Journal advertiu para os riscos de se tratar todos os muçulmanos no Exército como radicais, pedindo apenas maior cuidado.

O New York Times, em editorial defendendo as liberdades civis, relata casos de árabes que foram presos e torturados com ajuda de oficiais americanos sem ter cometido nenhum crime. No entanto, os artigos e as ações foram insuficientes para conter blogs e redes de TV conservadoras como a Fox News.

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