Allauddin Khan/AP
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Mulher de suposto autor de massacre afegão defende marido

Sargento Robert Bales foi acusado formalmente na semana passada de 17 homicídios

Reuters, REUTERS

26 Março 2012 | 15h01

A mulher do sargento norte-americano acusado de matar 17 civis afegãos neste mês disse nesta segunda-feira, 26, que não acreditava que seu marido pudesse ter realizado o massacre e que ela estava confiante de que ele estava bem antes do ocorrido.

O sargento Robert Bales, um veterano de 38 anos com quatro passagens por combates no Iraque e no Afeganistão, foi acusado formalmente na semana passada de 17 homicídios pela morte de oito adultos e nove crianças, além de seis acusações de agressão e tentativa de homicídio por atacar outros dois adultos e quatro crianças.

O incidente no sul afegão complicou ainda mais as relações entre Estados Unidos e Afeganistão depois de mais de 10 anos de guerra.

Karilyn Bales, falando publicamente pela primeira vez desde o massacre de 11 de março na província de Kandahar, no Afeganistão, disse em uma entrevista transmitida pelo programa "Today", do canal NBC, nesta segunda-feira, que ela firmemente não acreditava que seu marido estava envolvido no ataque.

"Eu não acho que algo vai realmente mudar minha mente em acreditar que ele não fez isso, que isto não é o que parece ser", disse ela à NBC.

"Eu só não acho que ele estava envolvido", afirmou ela na entrevista. "Eu não sei informações suficientes. Este não é ele. Não é ele."

Bales está sendo mantido na prisão militar Leavenworth, no Kansas, onde sua esposa falou com ele duas vezes por telefone.

"Ele parecia um pouco confuso quanto ao local onde ele estava e por que ele estava lá", contou ela a respeito da detenção, acrescentando que ela não perguntou diretamente se ele estava ou como ele estava envolvido na matança.

O advogado de Bales, John Henry Browne, sugeriu que ele poderia usar o estado mental do soldado como uma defesa.

Nesta segunda-feira, Karilyn Bales disse que a última missão de seu marido parecia "mais intensa" do que suas últimas participações no Iraque, mas que ele havia sido examinado mentalmente e fisicamente antes de ser enviado para o Afeganistão e não tinha quaisquer problemas.

Em uma de suas idas ao Iraque, Bales sofreu uma lesão cerebral traumática durante um capotamento de veículo, algo que sua esposa disse só ter tido conhecimento quando ele voltou.

Embora ela não estivesse totalmente familiarizada com todos os sintomas de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), Karilyn disse que seu marido não pareceu sofrer de pesadelos, dificuldade de concentração ou comportamento errático.

Ela insistiu que seu marido era um grande pai que não teria prejudicado crianças.

"Ele adora crianças. Ele é como uma criança grande mesmo ... Não tenho ideia do que aconteceu ... mas ele amava crianças e ele não faria isso", disse ela. "É devastador."

Não ficou claro onde Karilyn estava e a NBC não divulgou o local da entrevista. Ela e os dois filhos do casal foram transferidos para o alojamento militar na Base Conjunta Lewis-McChord perto de Tacoma e o blog que ela escreveu sobre sua gravidez e a vida com seu primeiro filho foi bloqueado.

O casal, que se conheceu através de um serviço de namoro online e se casou em 2005, tem um histórico de problemas financeiros em casa. Um fundo de defesa legal foi criado para Bales, disse sua esposa. Se condenado, Bales poderia enfrentar a pena de morte e uma sentença mínima obrigatória de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.

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